AOS 92 ANOS, MORRE O LENDÁRIO E INSUPERÁVEL ZAGALLO

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Crédito: CBF
Por Tony Martins

Morreu nesta sexta-feira (05/01/2024) no Rio de Janeiro aos 92 anos, Mário Jorge Lobo Zagallo, um dos mais carismáticos esportistas do futebol mundial e maior vencedor da história das Copas do Mundo. Nem Pelé, sequer Maradona, tão pouco Messi, conseguiram o feito de Zagallo, ser tetra campeão em três funções diferentes: bicampeão mundial como jogador (1958 e 1962), 1970 como treinador e em 1994 como supervisor do técnico Carlos Alberto Parreira. Além disso, foi semifinalista na Copa de 1974 na Alemanha e vice-campeão em 1998 na França.

Alagoano de Atalaia, nasceu em 1931 e com um ano de idade se mudou para o Rio de Janeiro, vivendo por lá até o dia de sua morte.

O pai de Zagallo atuou profissionalmente pelo CRB de Maceió, mas, não queria que o filho seguisse a carreira de jogador. Mesmo não tendo a aprovação do seu genitor, Zagallo seguiu seu intuito de jogador, iniciando sua carreira no América-RJ, depois se transferiu para o Flamengo, onde conquistou o tri campeonato carioca 1953/54/55.

Em 1958 se transferiu para o Botafogo numa época em que o time da Estrela Solitária formou uma das maiores equipes do futebol brasileiro, tendo em seu elenco Didi, Garrincha, Quarentinha e Nilton Santos, entre outros.

A HISTÓRIA DE ZAGALLO COM AS COPAS

A relação de Zagallo com a Copa do Mundo inicia bem antes de ser jogador, pois, em 1950, com apenas 19 anos de idade, ele esteve na partida final da Copa do Mundo realizada no Brasil. quando o Uruguai venceu o Brasil por 2 X 1, só que ele estava trabalhando como soldado e testemunhou o “Maracanaço”, sem saber que oito anos depois seria um dos protagonistas do primeiro título brasileiro na Suécia.

Em 1958, o técnico brasileiro era Vicente Feola e Zagallo disputava a posição com Pepe, jogador do Santos, mas, ele foi o preferido do técnico brasileiro, se tornando titular absoluto.

Em 1962, Zagallo voltou a ser titular na conquista do bicampeonato no Chile, encerrando sua trajetória em Copas do Mundo como jogador.

Por volta de 1965 encerrou sua carreira de atleta e não demorou tanto para se tornar treinador, até chegar à seleção brasileira.

CIRCÚNSTÂNCIAS E COINCIDÊNCIAS

A preparação da seleção brasileira para a Copa de 1970 se deu num momento conturbado da política brasileira, em plena vigência do período do Governo Militar, do Presidente Emilio Garrastazu Medici. De certo modo, havia interferência política na antiga CBD (Confederação Brasileira de Desportos), fato que desagradava o técnico João Saldanha que passou a ter uma relação conflituosa com os dirigentes políticos que não aceitavam uma suposta ligação de Saldanha com o Partido Comunista, culminando com sua demissão do comando técnico da seleção brasileira, entrando Zagallo em seu lugar.

Zagallo acabou sendo treinador da melhor seleção brasileira de todos os tempos, conquistando o tricampeonato no México, o primeiro como treinador da seleção formada com Felix, Carlos Alberto Torres, Brito, Wilson Piazza e Everaldo; Clodoaldo, Gerson, Tostão; Jairzinho, Pelé e Rivelino.

Zagallo voltou a brilhar pela seleção em 1994, quando foi assistente do técnico Carlos Alberto Parreira na conquista do tetracampeonato nos Estados Unidos, na verdade era mais que um assistente, era um conselheiro.

Zagallo encerra seu círculo na seleção brasileira em 1998, quando foi vice-campeão mundial, perdendo para a França na final. Naquele ano Zagallo proferiu uma frase que caracteriza a sua marca irreverente: “Vocês vão ter que me engolir”.

Hoje é um dia marcado pela tristeza e pela partida irreversível de Zagallo, mas, também, pelo momento de agradecer a um homem que protagonizou os momentos mais marcantes do futebol mundial.

OS ÚLTIMOS

Aos poucos, os protagonistas do primeiro titulo mundial conquistado pelo Brasil em 1958 na Suécia estão nos drixando. Há pouco mais de um ano sentimos a morte de Pelé e hoje estamos tristes pelo falecimento de Zagallo. Com isso, de todos os jogadores que estiveram na Suécia em 1958, apenas quatro estão vivos: Moacir, Mazola, Dino e Pepe.