Texto: Maria Akemi - Foto: Carlos Humberto/Agência CH
William Lima, treinador do Petrolina (Foto: Reprodução TV)

É impossível fazer um bolo sem os ingredientes. A mesma lógica vale ao futebol. Sem recursos é praticamente impossível. Tal exemplo pode ilustrar a realidade do Petrolina no “pós-pandemia” do estadual.

O elenco presente no início da competição foi desfeito por conta da pausa forçada da pandemia. A solução foi construir uma equipe com a base, aliando alguns atletas locais e poucos reforços de fora.

E segundo William, os “forasteiros” acabaram sendo uma dor de cabeça extra. ”A gente teve alguns problemas extracampo. No domingo [posterior à partida contra o Vitória] alguns atletas saíram após o jogo, fiquei sabendo através de rede social. Acharam que era dia de folga e a gente tinha dado para descansar. O jogo tinha sido muito intenso e a gente só tivesse 18 jogadores. Eles passaram o sábado [à noite] e domingo em festa. Isso não cabe em esporte de alto rendimento onde seu corpo é aquilo que você tem de mais sagrado. Foram atletas que eu não conhecia”, destaca.

Parte dos jogadores de fora foi flagrado em “festa”

Futuro da Fera

Em meio à construção do elenco ele pediu jogadores da região e olhou para a base: “Sempre disse e vou continuar falando: a gente tem um potencial muito grande de atletas na região. Precisa ser dado a oportunidade e não a oportunidade de chegar e resolver no Quadrangular”.

O que precisa mudar?

Depois de ter vivenciado os dois lados da moeda (a glória com o sub-20 e a decepção no profissional) dá pra ser otimista em relação ao futuro do clube? “Precisa se organizar porque o Petrolina sofre muito pela forma que as coisas são conduzidas. Não de agora, que são pessoas que cumprem seus compromissos. Futebol hoje é dinheiro. Se você tem dinheiro você faz uma equipe boa, se você não tem dinheiro [não]. Eu vejo o futebol em duas vertentes: se você tem dinheiro você vai montar uma estrutura boa. Só que eu vejo muito o lado regional, que a gente precisa ter um trabalho a longo prazo e oportunizar espaço pra quem é da região. Isso a gente não faz há bastante tempo”.

E quanto ao William treinador, há perspectiva no futuro? “Pretendo continuar. Não sei se vou ter oportunidade de continuar em outras equipes. Hoje tenho 39 anos e pretendo trabalhar com futebol até meus 45 anos. Se não aparecer continuo com meu trabalho normal”, finaliza.