Por Tony Martins

Binha é mais um jogador que brilhou no futebol amador de Juazeiro, sobretudo nos anos 1970/80, que nos deixa, provocando aos que com ele conviveram, um sentimento de tristeza.

O falecimento de Binha ocorreu nas primeiras horas de hoje (02/01/2021) em Juazeiro, cidade em que nasceu, morou e viveu grandes momentos de glória defendendo a meta de vários clubes locais.

Binha começou como goleiro do Carranca na primeira metade da década de 1970, sendo que em 1976, levado pelo treinador Raimundo Amarildo foi defender o Olaria que vivenciava um jejum de 8 anos sem título municipal e tentava evitar o pentacampeonato do arquirrival Veneza.

Binha foi destaque do time jovem do Olaria que conseguiu quebrar a hegemonia do Veneza, conquistando o título juazeirense de 1976, tendo a seguinte formação: Binha, Gilson, Nega Pala, Zé Vicente e Valdecir; Joãozinho, Mosquitinho e Etinho; Cacai, Lulinha e Panchito. Desse time estão vivos Valdecir, Etinho, Cacai e Lulinha. No bicampeonato em 1977, Binha também foi titular da equipe olariense.

O futebol foi marcante na família do ex goleiro Binha, pois, seu pai, seu Adalberto foi roupeiro do Olaria, o irmão Ivinho (o mais novo) defendeu Veneza, Olaria em Juazeiro, América, Caiano e Palmeiras em Petrolina, jogou em Paulo Afonso, além de ter feito parte da equipe profissional do Juazeiro Social Clube. Popó que também era goleiro defendeu o XV de Novembro de Juazeiro. Aloisio, também irmão de Binha, chegou a defender o Olaria.

Dando sequência a história futebolística familiar de Binha, Tony, um de seus filhos, jogou profissionalmente, além do sobrinho Brendo que ainda joga futebol, com passagens pelo Juazeiro Social Clube, Bahia e Santos, entre outros.

Binha no time do Olaria anos 70

Inegavelmente, o Olaria foi a equipe em que Binha mais se destacou, porém, ele defendeu outras equipes como o Carranca, onde começou, Veneza, Barro Vermelho, todos de Juazeiro, como também o Flamengo do Piaui. Depois que que parou de jogar ele se tornou árbitro de futebol.

A principal característica do goleiro Binha era a saída de bola pelo alto, executando saltos perfeitos e precisos, fazendo “pontes” em lances de rara beleza plástica, recebendo aplausos dos torcedores que lotavam o estádio Adauto Moraes.

Em 1977, no intervalo de um clássico Veneza x Olaria, ao descer para os vestiários, Binha proferiu xingamentos ao árbitro Pedro José dos Santos que o expulsou. O goleiro Tinho, reserva imediato de Binha, sequer, estava no banco, por isso, o técnico Raimundo Amarildo teve que utilizar Toinho do Rodeadouro que era o terceiro goleiro da equipe. Para o bem do Olaria, Toinho fechou o gol no segundo tempo, garantindo a vitória olariense frente ao Veneza.

A Agência CH solidariza-se com os familiares de Binha, lamentando a perda de alguém que nos deixa saudade. De modo particular, guardo a lembrança de um garoto que aos 17 anos, jogando no juvenil do Olaria, tive o prazer de treinar com Binha, cuja lembrança ainda habita a minha memória.