Por Tony Martins

Mais uma vez o técnico Carlos Rabelo poderá dirigir a Sociedade Desportiva Juazeirense, faltando alguns detalhes, pois, Rabelo precisa ainda conversar com os dirigentes do CRAC de Goiás e resolver sua situação, o que deve ocorrer até o fim do dia de hoje. O treinador, sendo confirmada a sua contratação, iniciará a preparação do elenco a partir de 18 de janeiro, quando começará a pré-temporada.

Rabelo tem ligação com o Cancão de Fogo desde 2017, quando dirigiu o time no Campeonato Baiano de 2017, livrando-o do rebaixamento, sendo que o ano passado esteve à frente do elenco nas últimas quatro partidas da competição, ganhando três e perdendo uma, além de ter treinado o time na campanha vitoriosa na série D do brasileiro em 2017, quando a equipe subiu para a Série C.

O Campeonato Baiano que iniciará em 21 de fevereiro, marcará a décima participação ininterrupta da Sociedade Desportiva Juazeirense na competição. Até agora foram algumas tentativas, nenhum título e quase nenhuma renovação, tendo como consequência o pouco número de torcedores, principalmente, se comparar com o inativo Juazeiro Social Clube, no tempo em que disputava o certame estadual.

Caso se confirme o retorno de Carlos Rabelo, ficará demonstrado o vai e vem de treinadores que é uma característica marcante na Juazeirense, tendo como exemplos, Quintino Barbosa, Paulo Sales, Haroldo Moreira, Evandro Guimarães e Laelson Lopes que por mais de uma vez estiveram no comando técnico da equipe, agravando-se mais ainda essa situação, pelo fato de nenhum treinador que começou uma temporada no clube foi até o fim, pelo menos no Campeonato Baiano.

A Juazeirense subiu em 2011 e estreou na primeira divisão estadual no ano seguinte, ficando na 8ª posição com 24 pontos. Em 2013 chegou à semifinal com a melhor campanha do Campeonato, mas foi eliminado pelo Vitória. Naquele ano o treinador Quintino Barbosa foi escolhido o melhor treinador do Campeonato Baiano e o Cancão de Fogo o terceiro colocado.

Em 2014, a Juazeirense ficou na sétima colocação e brigou contra o rebaixamento durante toda competição. Em 2015 chegou pela segunda vez a uma semifinal, terminando a competição em terceiro lugar, repetindo a mesma campanha no ano seguinte.

A campanha de 2017 foi medíocre e o time somou 12 pontos, terminando em sétimo lugar, porém, em 2018 o time fez boa campanha e novamente conseguiu uma terceira posição, sendo eliminado pelo Bahia. Já em 2019, por pouco o time não caiu, fez apenas 10 pontos e terminou a competição na oitava colocação.

Em 2020, o ano foi atípico, não só em razão da COVID-19, mas, por conta de algumas situações. Três treinadores comandaram a equipe, tendo Wladimir de Jesus no início da temporada, sendo substituído por Laelson Lopes, este último, pediu para sair por motivos particulares, entrando em seu lugar Carlos Rabelo. Nesse ano a dupla BA-VI não conseguiu vencer a Juazeirense que sofreu apenas duas derrotas para o Atlético de Alagoinhas.

Em 2020 a Juazeirense teve tudo para decidir o título estadual, enfrentando o Atlético de Alagoinhas na semifinal. No primeiro jogo, atuando no estádio Adauto Moraes o time fez um a zero, mas tomou uma virada, sendo derrotado por 4 x 1. Na partida de volta precisaria vencer por três gols de diferença, até que teve chance, pois, fez dois a zero e ainda perdeu um pênalti com Nino Guerreiro, perdendo também a chance de chegar à final da competição. Ainda bem que ficou em terceiro lugar, que lhe garante vaga na Série D e Copa do Brasil em 2021.

Alguns tabus acompanham a Juazeirense: um deles é o fato de nunca ter vencido o Bahia no Campeonato Baiano; o outro, consiste no fato do time nunca ter chegado a uma final, consequentemente, nunca ter sido campeão da primeira divisão.

Aliado a tudo isso que abordamos, tem o fato da Juazeirense não privilegiar em seu elenco profissional jogadores da base, pois, são poucos os utilizados, apesar de existirem em Salvador duas categorias, sub-15 e sub-17 que são coordenadas por Randerson Leal que é filho do Presidente Roberto Carlos e que permanentemente disputam competições promovidas pela Federação Baiana de Futebol, além dos juniores que revelam alguns valores, a exemplo do goleiro Bruno, Lucas Ian, Gabriel Heleno, Eduardo e Café, entre outros, que não têm muitas chances no elenco profissional.

Cabe aos dirigentes da Juazeirense, notadamente, o seu Presidente, o Deputado Roberto Carlos, definir se o clube continuará montando o elenco com jogadores maduros, vindos dos diversos lugares do país, ou definir uma política de renovação, montando uma base organizada, capaz de fornecer jogadores para o elenco profissional.