Cento e quatorze Unidades Produtivas de agricultoras e agricultores  familiares e uma Agroindústria recebem certificado de conformidade orgânica no território de Irecê 

Por Uilson Viana –Jornalista DRT 005198/BA

O ato de entrega aconteceu no último dia 13 de junho, mais a luta destas famílias camponesas demarca décadas de dedicação e resistência na defesa do modelo de produção agroecológica que visa acima de tudo o bem comum da mãe terra e sua relação com a saúde humana, tanto de produtores como de consumidores.

O evento foi realizado na Casa dos Anjos em Irece Bahia e contou com a participação de agricultores e agricultoras já certificados, bem como de novos produtores certificados. De forma pratica foi composta uma mesa com representações de entidades locais, a exemplo do BAHIATER, do Banco do Nordeste e do CESOL. Durante exposição, o membro da comissão de comercialização do Núcleo Raízes do Sertão, Marcio Santos, chamou a atenção para os princípios da produção agroecológica, que segundo ele deve primeiro “alimentar a família, a comunidade e depois a cidade”. Marcio pontuou que neste sentido “a feira é o nosso primeiro estande porque é onde está o nosso povo”, ressaltou. Assim, a agroecologia cumpre um papel social que é de buscar garantir alimentos saudáveis primeiro para a população local e só depois abastecer outros mercados. A fala de Paula Silva, coordenadora do Núcleo Raízes do Sertão de Certificação Participativa vai neste mesmo sentido, quando ela afirmou que “a prioridade não é mandar alimento pra fora, a prioridade é garantir alimento saudável para o nosso povo”. Desta forma Paula lembrou que a lógica da produção orgânica de base agroecológica se diferencia da produção convencional quando pensa na alimentação não só da família produtora, mas também no consumidor final. Isto nos lembra que a maioria dos produtores convencionais do território de Irece não come aquilo que planta, mas vende o que produz, porque são conhecedores da quantidade de veneno que são introduzidos nos alimentos.Os produtores e produtoras certificadas fazem parte de grupos organizados em cada município e estes grupos formam o Núcleo Raízes do Sertão, o qual por sua vez integra a Rede de Agroecologia Povos da Mata. Esta forma de organização demostra a capacidade de articulação dos grupos e garante o processo de certificação de forma participativa.

Uma novidade anunciada pela representante da CESOL – Centro Público de Economia Solidária, Vanessa Tomas que agradou os presentes, foi a notícia de que o escritório do CESOL em Irecê disponibilizou um espaço para exposição dos produtos certificados, bem como será disponibilizado um estande no Atacadão, recém-inaugurado em Irecê, para possível comercialização destes produtos.Após a entrega dos certificados, o público presente se confraternizou com a degustação de produtos advindos dos quintais e propriedades certificadas. Nos dias 12 a 13 de Julho estes produtores voltarão a se reunir num importante momento que acontece no espaço Gran Fest em Irecê, onde sediará o II Encontro Ampliado da Rede de Agroecologia Povos da Mata: “Perspectivas para o fortalecimento da Produção e do consumo de alimentos saudáveis”. O qual reunirá agricultores e agricultoras familiares certificados dos quatro núcleos da Rede Povos. O objetivo será discutir as perspectivas da Rede Povos da Mata para o fortalecimento da produção de alimentos de base agroecológica, bem como o consumo consciente de alimentos saudáveis, contribuindo para a soberania alimentar no campo e cidade.