Cuspir no gramado e beijar a bola estão entre elas

Por Carlos Humberto - Foto da capa: AFP

Não obstante as especulações diárias na mídia, uma data para o retorno do futebol aos campos ainda é uma incógnita. Pressionadas pelos clubes que contabilizam um prejuízo de consequências incalculáveis, as entidades que organizam as competições vacilam na busca de uma solução que atenda os interesses do esporte e não violem as medidas sanitárias impostas pelas autoridades da saúde.

No momento que as grandes cidades já praticam ou planejam o lockdown para evitar o colapso do sistema de saúde, como envolver grupos de jogadores, técnicos e assistentes para praticar uma atividade essencialmente de contato? Como manter distância numa formação de barreira? Como evitar o agarra-agarra na cobrança de um escanteio? Não beijar a bola, cuspir no gramado ou assoar o nariz, como sugeriu a Conmebol, é uma boa medida preventiva ou chacota, como querem alguns? É fácil perceber que temos mais perguntas que respostas.

No início da semana, o secretário geral da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Walter Feldman, afirmou que a entidade aprovou os protocolos médicos apresentados pelos clubes e federações e já deu o aval para a retomada dos treinos, obedecendo uma sequência estabelecida. Porém, no tocante aos jogos, é prematuro estabelecer um prazo, alerta Feldman.

As notícias são escassas quando falamos do Petrolina e da Juazeirense, representantes do futebol profissional no Vale do São Francisco, os dois com os elencos desfeitos. Dias atrás, Evandro Carvalho, presidente da Federação Pernambucana, assegurou o retorno do estadual. Do lado baiano, o presidente da FBF, Ricardo Lima, ainda não se pronunciou.

Únicos responsáveis pelos contratos de trabalho com os jogadores, os clubes vivem o dilema de ter suas atividades paralisadas e não auferir receitas para cobrir os custos e despesas que só acumulam. Por isso, sofrem as piores consequências dentro do atual cenário.

Quantos deles sobreviverão ao novo coronavírus, esse inimigo cruel e desumano que implantou o caos nos povos de todos os níveis sociais do planeta Terra?

Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém, diz o dito popular. Então, por que forçar a barra e colocar em risco vidas humanas daqueles que fazem a alegria de todas as torcidas?