Dois pesos e duas medidas?

Falôôô... A opinião de Jota Jota**
Jota Jota

Opinião é igual a orifício bucal, cada um tem o seu e o utiliza da forma que quer e que lhe convenha. É o que vem acontecendo com a possível volta do torcedor aos estádios, com a ocupação de apenas 30% de cada praça esportiva, neste primeiro momento, e claro que obedecendo aos protocolos da OMS, e do Ministério da Saúde, começando pelo estado do Rio de Janeiro, com o prefeito Marcelo Crivella, liberando o Maracanã, para o jogo entre Flamengo e Athlético do Paraná, no início de outubro.

Com as constantes reclamações dos clubes, em face dos prejuízos que estão somando pela falta de público, e com ela a desistência dos patrocinadores, a CBF resolveu interceder e conseguiu junto ao Ministério da Saúde a mesma liberação ofertada no Rio de Janeiro, seguindo todos as  recomendações, mas sendo que a última palavra, será das autoridades de casa estado, o Governador, e o Prefeito das cidades envolvidas nas competições da entidade máxima do nosso futebol.

E como fica o caso na Bahia de Todos os Santos, onde temos clubes nas quatro séries do Brasileiro, e que, como os demais, estão acumulando prejuízos um atrás do outro. Ruy Correria Costa, o governador do estado, e ACM Neto, o prefeito municipal, já haviam se manifestado contrários a este retorno, que consideram precoce e bastante perigoso para o momento. E ao ser consultado pela CBF, Neto fora contra, e se explicou em sua rede social o porquê de sua negativa, a necessidade de se evitar aglomerações, e manter o distanciamento social.

Mas vejamos, qual a diferença de se aglomerar nos estádios, ou nos calçadões das praias, nos shoppings, nas filas e caixas dos supermercados, ou os amontoados de passageiros nas estações da Lapa, de Mussurunga, e pontos de ônibus na hora do pique? Elas estão aí para quem quiser ver, inclusive o prefeito ACM Neto, é a sua opinião, e como ele determina, as demais ficam à margem de sua decisão.

Não se poderá aglomerar nos estádios, mas vai se poder amontoar nos colégios em dois turnos, quando das eleições municipais, alguém que entende ações como estas, que me expliquem por favor. Eleger políticos, liberar total para shoppings e comércio, deixar o trabalhador se amontoar nos ‘buzús’ da vida, pode. Mas ir ao futebol não, mesmo que se obedeça, as medidas ditadas para supermercados, cinemas, bares e afins, que não são OBEDECIDAS, e sim atropeladas pode.

Na modesta opinião do colunista, ao decidirem abrir mão das medidas, atendendo às necessidades dos empresários e trabalhadores que voltaram aos seus afazeres, os futebolistas e dirigentes de clubes também possuem os mesmos direitos para sanarem também suas necessidades, e com responsabilidade de se cuidarem, já que o vírus continua por aí à solta, e o perigo total geral e irrestrito não vai estar em Pituaçú, Barradão, e outros estádios do estado da Bahia.

Que as conversações continuem, e os dirigentes de Bahia e Vitoria, que ao serem perguntados, permaneceram em cima do maior muro do estado, se posicionem, porque ambos e os times do interior precisam do seus torcedores, podem não pagar salário com seus ingressos, mas pagam a lavadeira, o quadro móvel, e os dias de concentração para o jogo. Pelo exposto, Bahia e Vitoria estão bem satisfeitos com o que aí está, será que só o futebol é o vilão da Pandemia e da economia do país?

Já pensou o prefeito se os torcedores de Bahia e Vitoria decidirem também não irem às urnas, para que a Pandemia não se prolifere? Ah, e sem contar com os donos de bares, que são obrigados a fecharem suas portas as 22 horas, e quando se tem jogo na TV, são expulsos dos bares, ou o comerciante paga multa, e perde a licença. Porque não ser flexível, em dias de jogos dos dois times, permitindo se fechar 30 minutos após o término das partidas, aquelas que começam às 21h e 30. Prefeito, governador, nem todo mundo tem TV a Cabo em casa.

É ali o boteco da esquina, que a galera que hoje não tem arquibancadas, vibra com seu time, e quando se está chegando ao final da lua de mel, o infeliz do garçom, bate na porta, e diz olha a conta senhor.

Diria o comentarista WILSON LAGO (in memoriam), VÁ MATAR O DIABO.

Deixem de dois pesos e duas medidas, e não tome o futebol, como BODE EXPIATÓRIO.

#PRONTOFALEI.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGÊNCIA CH.