Por Valterlino Pimentel (Pinguim) - Foto: Arquivo Ziinha

Nos áureos tempos do futebol amador de Juazeiro, com estádio lotado aos domingos, fazia parte do cenário a importante participação das mulheres. Atuantes no dia a dia do seu clube do coração, nos dias de jogos coloriam as arquibancadas. Em especial, lembro da Torcida Organizada do Veneza Futebol Clube, comandada por Dona Dalva que, acompanhada de Nenenzinha e ao som da charanga do “Seu” Deodato, liderava o grito de incentivo aos jogadores do time azulino.

Dona Dalva (em pé, de lenço), ao lado de Aloísio Viana e Nenenzinha (agachada) – Foto: Arquivo Ziinha

Era uma festa. Vibravam e sofriam durante os 90 minutos da partida, enfeitavam as casas com as cores e o escudo do time, tocavam fogos de artificio. Torcedoras fanáticas, faziam de tudo para demonstrar seu amor pelo time do coração, inclusive, certas coisas que somente elas entendiam. Algumas eram mais contidas, porém, existiam aquelas que extrapolavam as emoções. A grande questão é até que ponto essa paixão era saudável e não ultrapassava os limites.

Afinal, o que se passa na cabeça de uma torcedora e o que leva a ser fanática por um time? Segundo Nenenzinha, uma das líderes, “Os nervos sempre ficavam a flor da pele, algumas gritavam, choravam e até xingavam, ainda mais quando o adversário fazia um gol. Ninguém gostava de assistir o time do coração perder, afinal, teria que aguentar piadinhas dos amigos e ainda tinha aqueles que faziam algumas loucuras como colocar nome do jogador no filho e faltar ao trabalho para assistir uma partida de futebol”.

Nunca existiu nenhum tipo de ganho material para a torcedora. Foi uma relação que sempre foi pautada pelo respeito que nunca se transformou em uma agressão e até mesmo violência. Elas sabiam de tudo e defendiam o Veneza com unhas e dentes, por mais que o time tivesse perdido ou feito uma péssima partida, elas tinham uma grande relação com o clube e sabiam a tabela de classificação, a data dos jogos, o nome de todos os jogadores, tanto os atuais como os antigos.

“Tínhamos nossas camisas estilizadas e a paixão foi crescendo aos poucos e fazendo parte da minha vida. Quando tinha jogo, todo mundo se reunia para assistir e fazer aquela festa. A gente gritava, torcia, ficávamos muito nervosas” lembra Nenenzinha.