Pablo Fernandes: um início promissor

Por Tony Martins - Fotos: Agência CH

Com a pandemia do coronavírus afetando de modo direto o futebol, principalmente o rendimento dos atletas que passaram quatro meses sem atuar em partidas oficiais, o trabalho de preparação física das equipes vem merecendo um cuidado especial. Nesse sentido, a Agência CH tem feito uma abordagem sobre o tema, entrevistando profissionais da área: treinadores, professores de Educação Física e preparadores físicos. A respeito do assunto, Pablo Fernandes que comanda a preparação física da Sociedade Desportiva Juazeirense nos concede uma entrevista sobre o momento atual.

Tony Martins – Você pertence a uma família ligada ao futebol de Juazeiro, já que seu bisavô, avô, tios e seu pai, jogaram bola na cidade. Qual a importância disso?

Pablo Fernandes – Sempre carreguei essa essência do futebol dentro de mim. Não tive o privilégio de ver meu bisavô Zezito, meu tio (seu Guima), nem meu avô Benitez, mas, vi meu pai Serginho jogando. Eles foram minhas referências.

TM– Você surgiu como uma promessa no futebol da região, mas de repente, parou cedo. Por quê? O que levou você a parar de jogar futebol?

PF-Tive minha iniciação no futebol na Escolinha do professor Baé, lugar onde pude dar meus primeiros passos no futebol. Sou muito grato a ele e a sua equipe de professores da época: Edson Mauro, Janílson, Fleberson, Tonton e Ricardinho. Esses são os profissionais que trabalhavam em meu tempo de escolinha. Já no profissional, tive passagem por alguns times como Juazeiro, Petrolina, Juazeirense, Bahia de Feira, Porto e Rotenturm da Áustria. Infelizmente, sofri com algumas lesões e isso atrapalhou bastante a minha trajetória e me fez parar.

TM– O fato de ser filho de Sérgio Fernandes contribui para você trabalhar na Juazeirense?

PF– Não mesmo. Tive que estudar arduamente na faculdade até concluir o curso de Educação Física, me dedicar a outros cursos e estágios até chegar à Juazeirense em 2017 como auxiliar de preparação física, onde fiquei até 2019 nessa função, sendo que em 2020 fui promovido à condição de preparador físico principal. A cobrança é dobrada, meu pai é meu incentivador, mas, também, é quem mais pega no meu pé.

TM– Fora o conhecimento adquirido na faculdade, quem lhe serve ou lhe serviu de referência para se tornar preparador físico de uma das equipes mais importantes da Bahia?

PF– Minha maior inspiração na área de Educação Física foi uma pessoa que tenho um enorme carinho e que para onde eu for, lembrarei dele, foi uma honra poder compartilhar momentos e aprendizados juntos, foi a pessoa que me ensinou e me direcionou nessa área. Grande mestre, Railson Sobral.

TM– Você é jovem e deve, naturalmente, buscar a leitura. Quais são suas referências teóricas que substanciaram a metodologia utilizada por você na de suas equipes?

PF– O método integrado. O principal objetivo é incentivar os jogadores a interpretar o jogo. Nesse sentido, é importante treinar habilidades para que os atletas sejam capazes de identificar as diferentes etapas de uma jogada e para que ele possa ter à sua disposição um leque de opções para escolher. A preparação física no futebol envolve o aperfeiçoamento de capacidades com o força, agilidade, resistência, velocidade, raciocínio rápido, o arranque e a potência nos chutes e arremessos.

TM– O Método Integrado se baseia em quais princípios?

PF– O princípio básico desse método é incentivar o aprimoramento de estímulos existentes no jogo, com o intuito de otimizar o desempenho do jogador. Para isso, são observados os seguintes elementos: rendimento regular que deve oscilar entre 70% a 90% sobre o nível físico normal; ausência de lesões musculares de forma a não atrapalhar a performance e proporcionar a continuidade do trabalho de treinamento; definição clara  dos melhores picos de rendimento e dos períodos de descanso ativo.

TM– O que a pandemia do coronavírus impactou no treinamento desportivo e na preparação física das equipes nesse retorno?

PF– Na verdade é tudo muito paliativo. É minimizar danos. Então, a gente tenta buscar formas para que os jogadores não percam muita condição física. Mas, também, depende muito da realidade de cada um. Numa situação de estrutura maior, onde o jogador tem uma esteira, uma bicicleta…claro que se consegue atingir resultados melhores de condição atlética, mas, mesmo assim fica devendo. O futebol é mais que isso, não é só correr. Tem a frenagem, a troca de direção, aceleração e desaceleração. e tem o contato com a bola também, que, dependendo do espaço, o jogador até consegue exercitar algo, mas no jogo tem a tomada de decisão, o domínio da bola e o improviso, existem coisas que não podemos treinar, acabam dependendo das condições que temos.

TM– Qual a influência do preparador físico junto ao treinador e qual a relação com o médico do clube?

PF– O papel do preparador físico atual é trabalhar em conjunto com o treinador, possibilitando cada vez mais melhorar o modelo de jogo da equipe ao longo da temporada, com todo treinamento. É preciso investigações sobre a periodização do treinamento, com fundamentação teórico-cientifica, que torne mais segura a aplicação dos métodos de trabalho, com inovações, mas, considerando também os aspectos já estabelecidos.

TM– O que é respeitar a individualidade biológica do atleta, num esporte de alto rendimento que cobra produtividade do jogador?

PF– Tanto a fisiologia quanto a preparação física do time principal tem ciência do que é realizado na base por meio de inúmeras ferramentas de registro, que possibilitam o conhecimento de informações  como carga de treinamento, frequência nas atividades, histórico de lesões, jogos realizados, avaliações físicas e avaliação de desempenho em partidas oficiais, dentro de cada uma das cinco categorias de formação. Respeitar o potencial fisiológico de cada um é importante para que os excessos não ocorram. Os resultados coletados devem ficar sempre armazenados para que possamos comparar a evolução dos atletas a curto, médio e logo prazos.