William Lima: treinador jovem para uma equipe jovem

Por Tony Martins

William Lima será o treinador do Petrolina para a disputa do Campeonato Pernambucano. Ele chega numa situação difícil, pois a principal missão é livrar o time do rebaixamento. Para tanto vai contar com os jogadores da equipe sub-20, o que torna sua missão ainda mais árdua.

Aos 39 anos, William Lima tem a experiência de jogador iniciada nos juniores do Juazeiro Social Clube em 1997. Em seguida jogou nos juniores do Sport Clube do Recife, passando pelas equipes profissionais de 1º de Maio e Petrolina, tendo encerrado sua carreira em 2007 em razão de um problema no joelho.

Ao Agência CH ele fala do desafio que é dirigir o Petrolina nesse momento e, ao mesmo tempo, entende que é uma oportunidade de mostrar seu trabalho, demonstrando muito otimismo para enfrentar essa situação

William LIma, treinador do Petrolina (Foto: Reprodução TV)

Tony Martins – Você é diferente de   outros treinadores, pois atua na educação e na área de saúde. Por isso eu lhe pergunto como é voltar com o futebol nesse momento de pandemia?

William Lima – Como professor ou em qualquer área precisa de formação para se ter um norte no desenvolvimento do trabalho. Então, o fato de trabalhar na área da saúde e da educação me ajuda na condição de treinador, além de ter atuado como atleta profissional por 15 anos, aliado ao aspecto metodológico do treinamento e a gestão de grupo que ajudam no desenvolvimento do trabalho.

TM – Até a paralisação do Campeonato Pernambucano os resultados do Petrolina não foram satisfatórios. Nesse sentido, faltando poucos jogos, como você se sente diante do desafio de manter o Petrolina na Primeira divisão?

WL– Profissionalmente, desde quando eu comecei a trabalhar como treinador, esse é o desafio mais difícil. Como auxiliar técnico, como preparador físico e como treinador dos juniores, esse é o trabalho mais difícil. Isso porque a equipe que eu vou trabalhar, não é a mesma que estava disputando a competição, terei pouco tempo, pois, serão dez dias para a gente implementar a nossa filosofia de trabalho, desenvolver o nosso conceito sobre o futebol, aquilo que penso. Teremos a base dos juniores com poucos jogadores que virão, mas, vamos trabalhar para manter o Petrolina na primeira divisão.

TM – Você fez um bom trabalho na equipe sub-20 em 2019. Quantos jogadores que disputaram o Pernambucano o ano passado e a Copa São Paulo serão utilizados por você no restante do Campeonato?

WL – Com relação ao sub-20 o ano passado, a gente teve tempo de desenvolver um trabalho, fazer testes, avaliações e selecionar jogadores para montar uma base. Na equipe profissional deste ano já tinha uns dez jogadores dos juniores compondo o elenco, embora pouco utilizados. Vou utilizá-los agora, pois, alguns têm qualidade, se corresponderem vão ganhar espaço. A oportunidade pode ser agora.

TM – O que esperar de um time jovem dirigido por um treinador jovem?

WL – Os atletas que temos são jovens, mas que tiveram uma boa rodagem o ano passado, fizeram um bom pernambucano, disputaram a Copa São Paulo e disputaram amistosos com equipes profissionais, ganhando uma certa maturidade, claro que precisam ganhar mais experiência. São atletas que a gente já conhece e que vão dar uma resposta positiva, mas temos que ter paciência, pois, trata-se de uma situação atípica e não podemos jogar todo o peso da responsabilidade nos atletas, já que existe uma Comissão Técnica e uma diretoria no clube. Com relação a ser um treinador jovem, já existem no futebol brasileiro alguns treinadores jovens com menos de quarenta anos. A Universidade ajuda muito porque capacita o profissional que, muitas vezes, começa na base ou como auxiliar técnico. Equipes como Fluminense do Rio, Sport e Corinthians têm treinadores jovens, demonstrando de que o importante não é a idade e sim a capacitação.

TM – Você tem um pé no campo e outro no método, além de ter sido atleta profissional. Isso o credencia a ser um bom nome para as equipes profissionais da região?

WL – A gente tem que trabalhar com a melhor das expectativas. O fato de ter sido atleta é importante, apesar de não falar muito, sempre gostei de observar e conversar   com os mais velhos, isso me incentivou a fazer a Faculdade de Educação Física e voltar a trabalhar no futebol na condição de preparador físico. A experiência de jogador é importante, porque a faculdade não ensina a vivência do campo. Então, é importante para conhecer o meio. Mas, o conhecimento científico será necessário sempre.

TM – Qual sua expectativa com relação ao seu futuro e ao futuro do futebol, tendo em vista o momento pelo qual passamos?

WL – A minha expectativa com relação ao futuro é que temos que trabalhar buscando fazer o melhor. Com relação aos clubes locais, espero que neles tenham mais profissionais da região, já que temos um material humano muito bom, seja atleta, professor, no rádio, ou na gestão do futebol. Mas, é necessário capacitar para ocupar os espaços. O problema é que, muitas vezes o pessoal que vem de fora recebe melhores condições de trabalho, quando o negócio aperta os da casa são chamados. Enfim, espero que os clubes da região melhorem.