Por Tony Martins - Foto capa: Reprodução

Foi comemorado no dia de ontem (26/04/2020), o dia do goleiro, que a meu ver, mais que uma posição, é um ofício. Essa data comemorativa foi iniciada em 1975, numa alusão ao pernambucano Airton Corrêa de Arruda, o Manga, a quem voltaremos a nos reportar.

Botafogo de 1962, com Manga no gol (Foto: Reprodução)

O goleiro é tão importante que o ditado diz “um bom time começa pelo goleiro”. No entanto, a ele não é dado o direito de errar, e mesmo que haja uma falha coletiva, é somente dele a culpa. Um centro avante, por exemplo, pode perder três gols, mas, fazendo um cai nos braços da galera. Se um goleiro fizer 10 difíceis defesas e, por infelicidade, levar um frango, sairá do céu ao inferno, basta sua equipe perder o jogo.

No ano de 1969, o Olaria Esporte Clube deixou de ganhar o tetracampeonato juazeirense devido a uma falha do goleiro Carlitão, diante do Veneza, fato que marcou negativamente a carreira desse goleiro que foi um dos melhores no futebol local. O goleiro Barbosa, ídolo no Vasco da Gama, passou vários anos tentando justificar o segundo gol sofrido por ele na partida final contra o Uruguai em 1950, quando o Brasil perdeu o título mundial, no famoso dia que se tornou conhecido como “maracanaço”.

O gaúcho Gelson, era um dos destaques do Esporte Clube Vitória, no Campeonato Baiano de 1979, mas, na última partida da competição diante do rival Bahia, acabou tomando um frango, num chute de longa distância do meia Fito. O time tricolor ganhou o jogo por um a zero e ficou com o título. Gelson nunca mais vestiu a camisa rubro-negra.  Nem mesmo o incrível Manga, ficou livre das peculiares e infelizes situações, pelas quais passam os goleiros, pois falhou na Copa do Mundo de 1966 na Inglaterra. Naquele ano, o futebol brasileiro, após ter vencido as duas derradeiras edições da competição, tinha em sua entidade representativa, a CBD (Confederação Brasileira de Desportos), uma desorganização total, influenciando na péssima campanha da seleção que não passou da primeira fase.

Alguns dos que estiveram em 1966 participaram do tricampeonato em 1970: Gerson, Jairzinho, Pelé, Edu e Tostão, mas, Manga acabou ficando de fora. Olha que depois da Copa da Inglaterra, ele ainda brilhou no Botafogo do Rio, ganhando uma Taça Brasil. O nosso Manga foi ídolo no Barcelona do Equador, Nacional de Montevideo, foi campeão brasileiro pelo Internacional em 1975, atuou ainda pelo Operário do Mato Grosso do Sul, quando chegou à semifinal do Campeonato Brasileiro de 1977. Aos 83 anos, Manga mora numa casa no Retiro dos Artistas, no Rio de Janeiro.

Apesar de tudo, o goleiro tem toda a simbologia que o torna herói, é o caso de Gilmar que no Santos foi um goleiro comum, mas, conquistou dois títulos como titular da seleção brasileira (1958/1962), fato que não ocorreu a nenhum goleiro brasileiro. Outro herói canarinho é Taffarel que em 1994 se destacou na conquista do tetracampeonato mundial nos Estados Unidos. Essa glória também foi vivenciada ´por São Marcos quando o Brasil ganhou o penta em 2002.

Heróis também foram Valdir Perez do São Paulo que pegou os pênaltis contra o Atlético Mineiro na conquista do Campeonato Brasileiro de 1977, Dida que em seu tempo se tornou um dos maiores pegadores de pênalti do mundo, qualidade também atribuída a Gatito Fernandes, herói botafoguense nos últimos anos.

Daqui uma homenagem aos goleiros e uma “porradinha” na mente inconsciente daqueles que esquecem as dez defesas do goleiro, por conta de um frango.