Jornalista Joelmir Beting doou ao estádio uma placa de bronze em alusão à “pintura” de Pelé no jogo Fluminense x Santos

Gol de placa de Pelé no Maracanã – foto divulgação SFC

Era uma tarde de domingo ensolarada no Rio de Janeiro, dia 5 de março de 1961, e o Fluminense recebeu o Santos no estádio do Maracanã, em duelo da segunda rodada do Torneio Rio-São Paulo que terminou com vitória santista pelo placar de 3 x 1.

Os gols da partida foram marcados por Pelé (duas vezes) e Pepe para o Peixe, enquanto Valdo descontou para os donos da casa já nos minutos finais.

No entanto, o que seria apenas mais um triunfo daquele lendário time de camisa branca, acabou entrando para a história do futebol e do próprio Maracanã.

Isso porque restando quatro minutos para o intervalo, quando o placar já mostrava 1 x 0 para o time alvinegro, Pelé recebeu a bola do zagueiro Dalmo e a carregou pelo meio em direção à área adversária. O camisa 10 tinha como opções Coutinho pela esquerda e Dorval pela direita, mas decidiu continuar em linha reta driblando nada menos que seis jogadores do Fluminense, entre eles Telê Santana.

O goleiro Castilho então saiu para tentar fechar seu ângulo de visão, mas Pelé, num misto de frieza e exímio talento, apenas tocou a bola por baixo do defensor, que deslizou calmamente para o fundo das redes. Era o segundo gol dele e de sua equipe.

Segundo Odir Cunha, historiador do Santos, o jornalista paulista Joelmir Beting, que faleceu em novembro de 2012, estava presente no Maracanã representando o jornal “O Esporte” e, “encantado” com a beleza do gol, decidiu mandar confeccionar por conta própria e pagou do próprio bolso uma placa de bronze com a seguinte mensagem:

“Neste campo, no dia 5/3/1961, Pelé marcou o tento mais bonito da história do Maracanã. O Esporte”, eram os dizeres da placa comemorativa, que foi entregue pelo jornalista ao estádio.

O presente de Joelmir Beting imortalizou o famoso “Gol de Placa”, que se tornou referência aos gols considerados incomuns ou, mais do que isso, os “foras-de-série”.

Ainda de acordo com Odir Cunha, quando o golaço histórico completou 50 anos, em 2011, o próprio Pelé fez questão de retribuir o carinho do jornalista e lhe enviou também uma placa: “Ao Joelmir Beting. Gratidão eterna do autor do gol de placa ao autor da placa do gol. Edson Pelé”.

O jornalista Mário Filho, que dá nome ao estádio do Maracanã, assim descreveu o gol espetacular do Rei do Futebol em seu livro “Viagem Em Torno de Pelé”:

“Era um gol visto do princípio ao fim, como nunca se vira outro. Então aconteceu uma coisa inédita. A multidão não se levantou. Continuou sentada. Mas prorrompeu em palmas. Não houve um só espectador que não batesse palmas (…) Pelé ouviu as palmas e olhou para as arquibancadas do Maracanã. Depois levantou o braço e acenou com a mão, agradecendo. Recebia os abraços de Coutinho, de Zito, de Pepe, de Dorval e continuava a escutar as palmas.”

“As palmas só cessaram quando Valdo deu a nova saída. Iam recomeçar logo depois, pois acabava o primeiro tempo e Pelé saía de campo. A diferença é que agora a multidão se pôs de pé para aplaudir Pelé. Quando Pelé desapareceu no túnel, ninguém ficou quieto. A vontade que todo mundo tinha era de se abrir, de compartilhar com alguém a alegria do gol de Pelé. Formavam-se grupos. Gente que não se conhecia tornava-se íntima pelo milagre do gol de Pelé.”

(Texto original: Torcedores.com)