Helenízio, um treinador de qualidades

Por Valterlino Pimentel (Pinguim) – Fotos: Arquivo Ziinha
Helenísio Ferreira dos Santos, hoje (Foto: Pinguim)

Helenízio Ferreira dos Santos nasceu em Juazeiro da Bahia em 31 de dezembro de 1949 filho de Anísio Alves dos Santos e Helena Ferreira dos Santos, então jovem contraiu uma Poliomielite ( paralisia infantil) e foi obrigado a se deslocar para o Rio de Janeiro onde submeteu-se a cirurgia; Após esta intervenção cirúrgica o jovem diariamente acompanhava com olhares firmes a passagem do ex-atleta Caboclinho (na época jogava no Olaria), que seguia da Rua Perpétua onde morava para ir treinar no Estádio Adauto Moraes e aquelas idas e vindas do craque que era seu ídolo, confabulou: porque não ser treinador de futebol já que não posso ser atleta? E aí inicia-se a saga do desportista Helenízio. Quando era funcionário da antiga Companhia de Navegação do São Francisco por ser um adepto ao futebol, recebeu convite de Antônio Barbosa, o “Baé”, e Corujinha, para ser o treinador do Carranquinha na Liga 1º de Maio sendo de cara campeão.

Helenízio, foi treinador do time do Carranca de 1981 (Foto: Arquivo Ziinha)

Os êxitos do treinador, apesar de dependerem de muitos fatores, foram associados à sua personalidade e conduta. Um excelente exemplo. Apesar de ter uma carreira curta, foi um dos grandes treinadores de futebol, tendo uma belíssima carreira como técnico de juvenis conquistando inúmeros títulos, até ser treinador do elenco principal. Falava uma linguagem de boleiro e os jogadores deliciavam-se com o que ele dizia e com sua simpatia que era peculiar manifestada por todos. Tinha também uma excelente leitura de jogo.

Flamenguinho de Helenízio 1972 (Foto: Arquivo Ziinha)

Iniciou a sua carreira no ano de 1973 no Carranquinha sendo campeão até 1976 e 77 foi vice campeão perdendo o título para o Flamenguinho da Liga Adalberto Matos. Já em 1980 por ser torcedor fanático do C.R. Flamengo do Rio de Janeiro funda o Flamenguinho no Bairro Santo Antônio na Liga 1º de Maio sendo campeão no mesmo ano. Em 1982, foi campeão pelo Carranca, e em 1984 repetiu a dose, desta vez como auxiliar técnico. Participou ainda de equipes como: Juventus, no Olaria como auxiliar técnico. Em 1988, conquistou o título mais importante de sua vida, sendo o primeiro técnico de futebol campeão do Centenário pelo Carranquinha. Helenízio sempre formava grandes times juvenis e muitos atletas se destacaram e foram defender clubes amadores de Juazeiro, da Bahia e do Brasil a exemplo de: Cabelo (in memoriam), Nunes ex-Flamengo, Gilmar Ranzinha, Careca, o goleiro Osmar e tantos outros. Por falar em Gilmar Ranzinha, em certo dia de sábado à tarde o Carranquinha estava realizando um treino apronto para a partida que seria realizada no domingo contra o Vila Euza, na liga Adalberto Matos, o então presidente do Carranca Esporte Clube “ Seu” Elzito Belfort, pediu uma pausa no treino e solicitou do treinador que liberasse o Gilmar Ranzinha pois necessitava dele na equipe principal do Carranca, de imediato sendo cedido e no dia posterior o Gilmar se destacou fazendo dois gols contra o Veneza surgindo definitivamente para o mundo do futebol. Em 1988, conquistou o título mais importante de sua vida, sendo campeão do Centenário pelo Carranquinha.

Helenizio conta ainda a mágoa que até hoje tem dentro do seu coração é que o Carranca em determinada ocasião formou um grande time, tinha oito atletas da Seleção de Juazeiro e quando chegava na partida final perdia o jogo, o título e ainda ganhou o apelido de “geladeira” isto magoa muito. Outro fato que me contraria muito é sobre o futebol profissional de Juazeiro, tínhamos o Juazeiro Social Clube, detentor de uma enorme e vibrante torcida, um time que jogava por música, não perdia para ninguém eu torci muito mas, na partida final inesperadamente perdemos o título para o Bahia e que ninguém soube ou sabe explicar aquela derrota tornando-se Vice Campeão baiano em 2001. E por fim temos a Desportiva Juazeirense que tem lutado para conseguir o seu espaço no Campeonato baiano, já participou da Série “C” e da Série “D” e é a terceira força do futebol baiano, porém o time não tem uma forte torcida, não sabemos o por que ainda não caiu nas graças da torcida. Talvez seja a ausência de jogadores prata da casa que não existe mais devido à falta de campos de várzea e outro fator pode ser também as drogas que chegou muito forte e perdemos muitos craques para ela.