Por Tony Martins – Foto: Arquivo

Identidade, terminologicamente, consiste num conjunto de características próprias de um ser que o torna diferente dos demais. No esporte, essa expressão é um pouco mais abrangente, na medida em que cada instituição se relaciona com seus inúmeros adeptos e simpatizantes, é o caso de uma equipe de futebol que é capaz de aglutinar milhares de pessoas em torno de si.

Desde o dia 16 de agosto de 1995, quando o Juazeiro Social Clube venceu o Estrela de março por três a zero, com três gols de Hailton, se deu uma empatia entre esse clube e a cidade de Juazeiro. Naquele ano foi apenas o começo de uma relação de amor e paixão entre as partes. Isso ficou comprovado quando a agremiação conquistou seu primeiro título, campeão baiano da segunda divisão no ano de 1996. Naquela oportunidade a equipe foi recebida por milhares de pessoas que lotaram as principais ruas da cidade, num dia inesquecível.

De lá para cá foram glorias e frustações, alegrias e tristezas, coisas normais no futebol, pois, a paixão é feita dessa forma, com vitórias e derrotas. De modo particular, narrei grandes embates do Juazeiro Social Clube diante da dupla BA-VI, vi Vagner Rocha, Janilson, Hailton e Alan, brilhando nos gramados do Brasil, defendendo o Juazeiro Social Clube, sentia o esforço e a abnegação de Carlos Humberto e Jailson de Oliveira (das tintas) na manutenção da equipe. Percebi o quanto Onça e Sapatão foram significativos para a consolidação histórica do clube, cujas contribuições como treinadores são imensuráveis.

Pelo Juazeiro Social Clube também passou Petrus que atuou em dois dos principais clubes do futebol brasileiro: Corinthians e São Paulo, além de atuar no exterior, fazendo um relativo sucesso, como também Daniel Alves, considerado por grande Parte da imprensa um dos maiores laterais de todos os tempos. Porque não falar de Railson goleiro, João Alder, Cocada, Muller, Dedé, Fischer, Nadilson, Nino Guerreiro, Ivinho, Ciel, Neném Batoré, Tinho, Joseilson Cuinha, Anderson e Adriano Pardal, jogadores da cidade que ajudaram a fortalecer essa identidade do Juazeiro.

 O que dizer da relevância de Baé, e Railson Sobral. Vem a lembrança, também, de Roque Carneiro, Emerson Zirilau, Professor Regis, Marcelo Passos e Professor Antonio Carlos, treinador e preparador físico, respectivamente, da equipe de 1995. Estes são personagens de uma história marcada pela luta e pelo amor de quem a escreveu.

No dia 16 de agosto o Juazeiro Social Clube completará 25 anos de existência. Contudo, seu futuro está permeado por incertezas, pois, o inativo presente, se distancia cada vez mais de um itinerário histórico pontilhado de realizações, a rigor, são quatro anos sem qualquer atividade, uma espécie de anomalia, onde não se percebe o remédio para a mazela desta paralisia. O atual Presidente, Rafael Campelo, não apresenta qualquer solução para o problema, pelo menos não verbaliza nos meios de comunicação locais. Do Conselho Deliberativo que é a principal instância de um clube não se sabe nada, mostrando que não há um funcionamento orgânico da agremiação.

A última vez que o Juazeiro Social Clube disputou uma competição foi em 1996, quando participou da segunda divisão do Campeonato Baiano. Até o dia 20 de fevereiro, prazo estabelecido pela Federação Baiana de Futebol-FBF, para inscrição de clubes no campeonato de acesso deste ano, o Juazeiro não havia realizado qualquer movimentação nesse sentido. Mas, como tudo está suspenso na entidade em razão da pandemia do novo coronavírus, vamos aguardar a volta do futebol para saber ao certo, o futuro do Juazeiro Social Clube. Plagiando o filosofo, apenas digo que “só sei que não sei”.