Por Tony Martins

O dia 25 de novembro de 2020 ficará marcado para sempre pela morte de Maradona, pois, não se trata de uma simples partida. Mesmo sabendo que metaforicamente a morte signifique o fim, jamais a genialidade de Dieguito desaparecerá de nossas mentes, de tão brilhante que foi. Certamente é a cessação completa da vida, porém, no caso de Maradona, será a perpetuação histórica de um gênio.

Nascido em 30 de outubro de 1960, Diego Armando Maradona Franco cresceu em Villa Florito nos arredores de Buenos Aires, tendo uma infância pobre e humilde. Quando tinha nove anos participou pela primeira vez de uma equipe de futebol: um time local chamado Los Cebollitas.

Aos 15 anos Maradona se profissionalizou pela equipe do Argentino Juniors, sendo que um ano depois integrou a seleção principal de seu país, embora não tenha participado da Copa do Mundo de 1978 na Argentina, fato que gerou muita celeuma entre os portenhos, já que a torcida e parte da imprensa do país entendiam que ele deveria ser convocado pelo técnico Cesar Luis Menotti.

Maradona foi comprado pelo Boca Juniors e logo vendido ao Barcelona em 1982. Seu talento, no entanto, não foi demonstrado na equipe catalã, sendo negociado com o Napoli da Itália em 1984.

MARADONA COLOCA O NAPOLI EM OUTRO PATAMAR

Antes de Maradona, equipe do Napoli foi sempre simples, não competia em pé de igualdade com as equipes italianas e, de igual modo, pouco representava no contexto do futebol europeu. O craque argentino levou o time napolitano ao bicampeonato da Itália 1986-1987 e 1989-1990, ganhou a Supercopa da Itália em 1990, tendo ainda conquistado a Copa da UEFA 1988-1989.

O Napoli de Maradona tinha o comando técnico de Ottávio Bianchi, tendo como time-base Giuliani, Renica, Ferrara, Corradini e Francini: Alemão, De Napoli, Fusi e Maradona: Carnevale e Careca.

“MÃO DE DEUS” E CARRASCO DO BRASIL

Na sua primeira participação em Copa do Mundo (1982), Maradona não foi bem, nem sua Argentina, já que foram derrotados pela Itália de Paulo Rossi e pelo Brasil de Telê Santana, inclusive, o craque argentino foi expulso diante dos brasileiros, numa partida em que os canarinhos venceram por 3 a 1. (Naquela Copa a Itália conquistou o título).

Em 1986 no México, Maradona foi o principal responsável pela conquista do bicampeonato mundial pela Argentina, notadamente, nas quartas de final diante da Inglaterra. Ocorre que, os dois países foram envolvidos num conflito rápido, mas de grandes consequências, em 1982, denominado Guerra das Malvinas, também chamada de Guerra do Atlântico Sul. Esse fato deixaram os ânimos acirrados, pois, a imprensa se encarregou de reavivar esse conflito durante a Copa do México em 1986, levando para o gramado um clima de guerra.

Aos seis minutos do segundo tempo a bola chegou na área dos ingleses e, com um toque de mão, Maradona fez o primeiro gol da Argentina.  A maioria dos presentes no estádio Asteca viu o lance irregular, mas, o árbitro tunisiano Ali Bin Nasser, não viu irregularidade no lance e validou o gol (para os argentinos o gol foi feito pela mão de Deus). Aos 10 minutos do segundo tempo Maradona recebeu a bola no meio-campo, driblou todo o sistema defensivo da Inglaterra, inclusive o goleiro Shilton, fazendo dois a zero, Lineker fez o gol de honra dos ingleses.

A Argentina do técnico Carlos Bilardo venceu a Bélgica por dois a zero na semifinal e derrotou a Alemanha por três a dois na final. A Copa de 1986 ficou conhecida como a “Copa de Maradona”.

Em 1990 na Copa da Itália se enfrentaram Brasil e Argentina, valendo pelas oitavas de final. A seleção brasileira foi melhor do que a equipe adversária, porém, os argentinos tinham Maradona que num lance de genialidade envolveu o sistema defensivo do Brasil, fazendo um passe sob medida para Caniggia driblar Taffarel e fazer um a zero para a Argentina.

A Argentina de Maradona ainda teve a competência de derrotar os italianos (os anfitriões) nos pênaltis, depois de empatar no tempo normal e na prorrogação por um a um. Na final a Alemanha venceu os argentinos por um a zero.

Apesar da rivalidade entre Brasil e Argentina, Maradona gostava dos brasileiros, sendo fã incondicional do futebol de Rivelino, era amigo de Careca, com quem jogou no Napoli, a quem chamava de Antonio (primeiro nome de Careca). Maradona gostava tano do futebol brasileiro que comprou o passe de Charles Fabian e o colocou no Boca Juniors no ano de 1992.

A genialidade de Maradona começava  antes mesmo do jogo iniciar, pois, já no aquecimento ele mostrava sua habilidade, numa relação intima entre o seu corpo e um instrumento, que antes de ser de trabalho, era de lazer, satisfação e de agradecimento, sintetizada numa frase por ele proferida: “gracias a la pelota” que a seu pedido deveria ser inscrita sobre a lápide que cobrirá o seu túmulo.

Maradona sempre se posicionou politicamente, usou seu prestígio em causas nobres e se envolveu em polêmicas, contudo, nada é capaz de deslustrar sua genialidade, pois, sempre será “EL PIBE DE ORO”.

NÚMEROS

345 gols em 180 jogos marcou Maradona na carreira; jogou em seis clubes e na seleção do seu país.