Por Tony Martins   

Os dias em que vivemos aguçaram a minha mente de tal forma que lembrei de um momento que passei na cidade de São Paulo e faz muito tempo, entre tantos no meio da multidão, nunca tinha vivido com tanta gente junta.

No entanto, vivi solitário dentro de mim, pensativo, refleti: por que tanta solidão no meio de tantas pessoas, compondo a multidão? Não havia o aperto de mão, ninguém me desejou bom dia, não sentia união, imprensado pela aglomeração, apenas a constatação de tal situação.

Saltemos de lá para cá, cercado de emoção, recorrendo à necessária reclusão, avesso À multidão, fico pensando no outro, pois, com o adversário impostor e renitente, somente eu lhe ajudando e por você sendo ajudado é que venceremos o inimigo.

Ao contrário do que vivi em São Paulo, sinto o quanto o isolamento nos torna mais unidos, na medida em que fico em quarentena tenho a certeza que sou mais um a engrossar a multidão, já que para o bem comum, eu penso em você e você pensa em mim, tipo um por todos, todos por um.

Sem esforço abrimos o coração e estendemos as mãos, rogamos a Deus e praticamos o bem, onde o gesto humanitário se torna mais nobre do que a riqueza dos bens materiais, já que nesse momento necessitamos do amor como remédio da dor.