O avanço tecnológico não deve sepultar os valores humanos

Por Carlos Humberto

Com o noticiário infectado do novo coranavírus, eu que sou avesso às redes sociais, outra doença da era moderna, aproveito a reclusão involuntária para preencher as longas horas do dia flertando perigosamente com os efeitos colaterais que a quarentena possa produzir ao corpo físico e, principalmente, ao espírito.

E temo por isso porque, com tanto tempo disponível, recordo que já li em algum lugar ou ouvi de alguém que “cabeça vazia é morada do demônio”. E para fugir do dito popular, quando não estou produzindo um texto, estudando fotografia ou fazendo um curso pela internet, me descubro, justamente, recorrendo aos famigerados Twitter, Instagram, Facebook e WhatsApp – cito alguns – para matar o tempo ocioso que transforma as pessoas em “vagabundos domésticos”.

E lá, nesse mundo sem regras, tenho assistido a verdadeiros clássicos tipo “Família Bolsonaro contra o mundo” e “Ciro Gomes e sua metralhadora giratória”. Nessa nova realidade, conspirações germinam ao sabor do pensamento de quem as cria e remédios milagrosos são receitados para todos os males. Líderes são desmistificados e falsos messias surgem num simples gesto de compartilhamento. Nesse ambiente perverso, amizades são destruídas por não resistir à falta de argumentos de uns e pela ausência de convicção de outros. A privacidade foi para o beleléu e pessoas são expostas criminosamente por irresponsabilidade ou mesmo maldade. A prova inconteste ficou escancarada ontem (23), quando um cidadão e uma cidadã, nossos vizinhos, foram expostos criminosamente nas redes sociais como agentes do coronavírus em Juazeiro e Petrolina.

A que ponto chegamos. Em nome de parecer moderno, “atualizado”, o homem começa a negar os valores que deveriam ser o pilar da sua existência.

 “As redes sociais deram voz aos imbecis”, já avisara o escritor italiano Humberto Eco. O respeito acabou.