Por Tony Martins
Agnaldo Timóteo (foto: Murilo Alvesso)

Não lembro a data, mas, foi no ano de 1973 que aconteceu em Juazeiro um evento chamado futebol-show: o expresso do Botafogo do Rio de Janeiro, o que seria nos dias de hoje o time alternativo, que enfrentou o Veneza, o cantor Agnaldo Timóteo, que trouxe ainda de lambuja seu irmão Major, participando do show, dando uma canja.

Agnaldo Timóteo todos sabem, foi um botafoguense fervoroso, daqueles que “matam e morrem pelo time”. Ele fazia parte do ambiente botafoguense desde os tempos de Garrincha, Nilton Santos, Amarildo e seguiu na época de Jairzinho, Paulo Cesar Caju, Marinho Chagas, Tulio Maravilha e tantos outros, inclusive, ajudando o clube em momentos difíceis.

Agnaldo, com 36 anos naquele tempo, já havia emplacado grandes sucessos a exemplo de “O grito”, “Deixe-me outro dia, porém hoje não”, “Mamãe”, sendo que naquele momento estourava nas paradas de sucesso com o clássico “Os brutos também amam”, uma composição de Roberto e Erasmo Carlos. Então, a história do Botafogo e a fama de Timóteo tornaram aquele evento no Adauto Morais, uma verdadeira apoteose.

A CONFUSÃO

O Botafogo fez um a zero com gol de Puruca, porém, o árbitro Demônio do Ringue assinalou uma penalidade máxima a favor do Veneza, momento em que Agnaldo Timóteo disparou uma corrida e invadiu o gramado. O cantor sempre teve fama de brigão, inclusive praticou box e luta livre, antes de se tornar cantor. Por outro lado, o árbitro da partida, Demônio do Ringue, era lutador profissional, portanto, poderia sair faísca.

O delegado de Juazeiro, era Capitão Geraldo, famoso por ser valente no trato com os que visitavam sua delegacia. Eu criança, à época com 13 anos, mas já conhecedor dos atributos dos personagens fiquei temeroso pelo pior. Contudo, a intervenção do delegado foi providencial e prevaleceu a marcação do árbitro. O Veneza converteu a penalidade máxima e empatou o jogo.

A Agência CH, entendendo a grandeza de Agnaldo Timóteo para a música brasileira e para a história do nosso país, conta esse fato por nós presenciado para demonstrar o respeito e o carinho que devotamos a Agnaldo Timóteo, que nos deixou no dia de ontem, aos 84 anos, vitimado pelo Covid-19.