Por Carlos Humberto

O presidente da Fifa, o italiano Gianni Infantino, enviou a todas Confederações continentais e Federações nacionais comunicado alertando que “o futebol só deve voltar quando o risco do contágio não exista”, numa clara referência à pandemia do coronavírus, e que “antecipar seria um comportamento irresponsável”. Exceto o presidente Jair Bolsonaro, que se diverte comendo sonho em padaria, o mundo todo sabe que isso – o fim da crise – não vai acontecer nos próximos dias.

Em entrevista ao portal UOL, o secretário geral da CBF Walter Feldman afirmou que a entidade está alinhada com as diretrizes da Fifa e do Ministério da Saúde. O recado é claro: nenhuma decisão será tomada enquanto a situação no país não se normalizar, o que nos leva a pensar em futebol apenas no segundo semestre – e olhe lá.

No momento em que os governos estaduais publicam decretos prorrogando a quarentena e reforçando o isolamento social, é utopia imaginar que alguma federação possa furar as medidas restritivas para retomar os campeonatos, mesmo com portões fechados.

Reuniões tem acontecido por videoconferência entre clubes e federações – menos a Baiana, que fechou suas portas, suspendeu o expediente para o dia 3 de maio e se trancou num mutismo preocupante. A pauta, nessas reuniões à distância, é extensa e abrange discussões sobre o destino dos estaduais, redução salarial dos jogadores, suspensão do pagamento da cota da televisão e o calendário, entre outros temas, mas nada que sinalize soluções inteligentes para este momento tão difícil que vive os esportes como um todo e, em especial, o futebol brasileiro.

De qualquer maneira, é fato que o coronavírus atingiu o futebol em cheio e o estrago está feito para clubes com ou sem séries, indistintamente. Forçosamente, em todos os escalões, é hora de repensar os negócios bilionários do planeta futebol e, para isso, é necessário ter humildade para reconhecer os enganos, e inteligência para sair do fundo do poço revigorado e forte. Dessa forma, não tenho dúvida que, no futuro, a história do futebol será recontada como antes e depois do coronavírus.