Por Carlos Humberto - texto e fotos

Um dia após a realização da partida entre o Juazeirense e o Vasco da Gama no Adauto Moraes, válida pela Copa do Brasil, ainda repercute na mídia nacional e redes sociais os acontecimentos do inédito confronto entre as duas equipes. As emissoras de TV mostram por diversos ângulos lances polêmicos que alimentam as discussões entre torcedores dos dois times, e revelam opiniões antagônicas de profissionais do chamado futebol bretão.

Isso é o alimento que nutre o futebol, que o torna apaixonante e imprevisível, e faz dele o esporte mais querido do mundo.

O duelo entre o humilde sertanejo Cancão de Fogo e o suntuoso Gigante da Colina terminou empatado em 2 a 2, mas se trouxermos para a discussão elementos subjetivos que compõem uma partida de futebol, o resultado poderia ser diferente.

Vejamos. Desde a véspera da decisiva partida, a torcida vascaína do Vale do São Francisco se uniu para levar aos jogadores todo tipo de apoio e fez bonito. Quando os portões foram abertos, em todas dependências do estádio e até em camarotes improvisados em terraços e sacadas de edifícios que contornam a praça esportiva, camisas com a cruz de malta adornavam corpos de homens, mulheres, crianças e adultos, marcando território. Num cálculo visual, poderíamos dizer que dos pouco mais de 5 mil lugares disponíveis, dois terços estavam lá para torcer para o time carioca, dono de grande apelo popular em todo Brasil. 1 a 0 para o Vasco.

O empate viria de onde menos se esperava, de dentro de campo, quando os jogadores juazeirenses vestiram suas armaduras e, com desdém, trataram a grande diferença salarial que existe entre os elencos, com um só objetivo: vencer. É como se tivessem feito um verdadeiro pacto: “Aqui mandamos nós”. O comprometimento coletivo e individual surpreendeu o favorito visitante num primeiro momento. Se perdia nas arquibancadas, o Juazeirense, com garra e destemor, vencia em campo. Empate da Juazeirense: 1 a 1.

Resumo do jogo

Os quinze primeiros minutos da partida foram eletrizantes para as duas equipes. Logo aos quatro, o jovem atacante Hugo jogou nas mãos do goleiro Fernando Miguel, na pequena área, a oportunidade de ouro que poderia reescrever a história do embate.

O Vasco reagiu e obrigou o goleiro Douglas Pires a mostrar porque veio para ser titular. Até os 12 minutos iniciais, os dois goleiros se esforçaram para evitar que suas metas fossem vasadas. Fernando Miguel praticou defesas arrojadas em cabeça de Balotelli e chute de Rogerinho. O susto veio em seguida, quando o argentino Máxi López serviu seu companheiro Yan Sasse que, inapelavelmente, abriu o placar, sem chance para Douglas. 2 a 1 para o Vasco.

Embora sem o frenesi inicial, as duas equipes continuaram praticando um bom futebol até o encerramento do primeiro tempo.

Descansados, os guerreiros voltaram a campo e, quando se esperava ações ofensivas do Vasco, foi a Juazeirense que assumiu o comando da partida e aos 5 minutos a máquina trituradora Gustavo Balotelli, após vencer seu marcador, chutou cruzado empatando o placar da partida. Em menor número, o grito do Cancão superou pela primeira vez os cantos entoados pelos vascaínos e, o nosso simbólico marcador apontou em 2 a 2.

Sem atentar para o que estava acontecendo em campo, a defesa carioca foi abatida mais uma vez pelo gigante Balotelli quando, prestes a concluir em gol, o estreante atacante baiano teve a camisa puxada na área, caracterizando pênalti. Encarregado da cobrança, Nino Guerreiro fez cobrança de manual: goleiro num canto e a bola no outro, sem direito a sair na foto.

Os tambores voltaram a rufar ainda mais forte na torcida juazeirense, enquanto os vascaínos, coçavam a cabeça sem acreditar no que estava prestes a acontecer. A Juazeirense revertia a diferença e ficava pela primeira vez à frente do placar: 3 a 2.

Quis o destino, porém, que a ação de um ser humano, que deveria primar pela imparcialidade, mudasse a história do confronto. Na lateral do campo, já fora sinalizado o acréscimo de mais seis minutos pelo árbitro reserva, quando Nino Guerreiro disputou bola na área do Vasco e o zagueiro Cástan desviou para escanteio. Para surpresa de todos, o árbitro Rafael Traci, do Paraná, assinalou apenas tiro de meta, para revolta dos jogadores locais. A inversão da infração se revelaria cara para os sonhos da Juazeirense.

Recomeçado o jogo, o atacante Marrony recebeu bola longa, e, com mais dois zagueiros à sua frente, tentou driblar o lateral Maicon, este impediu a passagem do adversário usando legalmente o corpo e o homem de azul (antigamente era homem de preto), apontou a marca do pênalti, castigando a melhor equipe em campo. Não adiantaram protestos e reclamações. O marrento argentino Máxi López, que havia feito a assistência para o primeiro gol, com um chute forte venceu o grande Douglas Pires, que voou tal qual um avião caça, mas não impediu o injusto empate vascaíno.

Involuntariamente ou não, o árbitro dos quadros da CBF terminou no centro das discussões. Duas atitudes suas, equivocadas – escanteio não marcado e um pênalti questionado –, impediram que o nosso pequeno Davi, com méritos, abatesse o gigante Golias da competição. Este escapou de um fracasso histórico, não fosse a decisão equivocada do árbitro paranaense.

Placar oficial do jogo, 2 a 2. Considerando a subjetividade do meu comentário, vitória da Juazeirense por 3 a 2.

FICHA TÉCNICA

JUAZEIRENSE 2 x 2 VASCO DA GAMA

Copa do Brasil – Fase 1

Data: 06 de fevereiro de 2019, quarta-feira

Local: Estádio Adauto Moraes, em Juazeiro-Ba

Horário: 20h30

Gols: Yan Sanssé, aos 12′ do 1º tempo para o Vasco; Balotelli, aos 5 e Nino Guerreiro, aos 42, para o Juazeirense; Máxi López, aos 45 do 2º tempo, para o Vasco.

Juazeirense: Douglas Pires, Ewerton (Maicon), Emílio, Emerson e Wallace; Vaguinho, Patrik Kaway e Rogerinho (Kattê); Hugo (Jacó), Nino Guerreiro e Gustavo Balotelli. Técnico: Aroldo Moreira

Vasco: Fernando Miguel, Raul Cáceres, Werley, Leandro Castan e Danilo Barcelos; Andrey (Ribamar), Lucas Mineiro e Bruno Cesar (Thiago Alcântara); Yan Sasse (Yago Pikachu), Maxi Lopes e Marrony. Técnico: Alberto Valentim

Arbitragem: Rafael Traci (PR), árbitro central. Assistentes Ivan Carlos Bohn (PR) e Jefferson Cleiton Piva da Silva (PR).

Cartão amarelo: Emílio, Gustavo Balotelli, Douglas Pires e Maicon, do Juazeirense; Bruno César e Leandro Castán, do Vasco

Público pagante: 3.682

Público não pagante: 233

Público total: 3.915

Renda: R$ 320.700,00