“O país do futebol” precisa mudar

Por Tony Martins - Foto/capa: CBF

Notadamente, não foi o Brasil quem criou o futebol de acordo com as fontes históricas. As referências a que tive acesso indicam que esse esporte nasceu na China Antiga no Século IV a.C, sendo organizado e estruturado no modelo atual pelos ingleses no final do século XIX. No entanto, é o Brasil considerado o “país do futebol”, em razão da conquista do maior número de títulos de Copa do Mundo e de ter presença em todas as edições dessa competição, além de ter produzido o maior jogador de futebol de todos os tempos.

Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, o futebol brasileiro movimenta 16 bilhões de reais por ano, tendo trinta milhões de praticantes, equivalente a 16% da população brasileira, com 800 clubes profissionais (são 650 em atividade e apenas 128 com calendário estabelecido), 13 mil times amadores e 11 mil atletas federados. Contudo, os dirigentes não podem dormir em cima da fama de Pelé, no penta campeonato e no número de praticantes e adeptos desse esporte, descuidando-se da organização do seu futebol, que, ao meu ver deixou de ser o “país do futebol” desde os 7 X 1 sofrido contra a Alemanha jogando em casa, na Copa de 2014.

Os fatos e as evidências dão conta de que o brasil precisa mudar sua forma de organizar seu futebol, uma vez que, seus principais talentos atuam fora do país, sendo que nas convocações para a seleção brasileira é muito raro ver jogador que atual no país ser contemplado. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Centro Internacional de Estudos Esportivos (CIES), no ano de 2019 o Brasil foi o país que mais exportou jogador de futebol. Foram 1600, à frente da França com 1027 e Argentina 972 jogadores.

No atual momento existe muito investimento na Série A, ao passo que divisões como a C e a D, vão sendo tocadas com parcos recursos, sem contar que o futebol amador é totalmente desassistido pela CBF e Federações estaduais. Entendemos que deveria ter mais divisões, não precisa ser 11 como no futebol inglês, como também não pode ser apenas as 4 atuais do nosso futebol (A,B, C, D), contemplando apenas 128 dos 650 clubes que estão em atividade, entendemos ainda que mais duas divisões numa categoria semiprofissional poderiam ser uma saída.

Outro aspecto de fundamental importância, refere-se à qualificação de dirigentes de equipes de menor expressão do futebol brasileiro, dando-lhes capacitação na gestão e no marketing esportivos, pois, a falta de qualidade de quem dirige reflete na qualidade dentro de campo. Nesse sentido, a educação e o mercado do futebol devem ser pilares da formação.