Falôôô... A opinião de Jota Jota
Jota Jota

A modernização do nosso futebol, eu digo nosso, porque sempre fomos melhores do que os demais do mundo, e só deixamos de sê-lo por nossa própria incompetência. Ou, talvez, por querer ser a Maria vai com as outras, implantando o estilo europeu, o chamado futebol força, enquanto eles passaram a utilizar o nosso futebol arte, que deixamos de lado ou trocamos pela truculência e correria em campo, cheios de esquemas matemáticos que no frigir dos ovos é tudo farinha do mesmo saco.

Como disse no início, como está a modernização do nosso futebol?

Exterminaram com os campos de peladas e ou babas, com o queira cada região, trocados que foram pelas escolinhas de clubes, e ou franquiadas pelos mesmos, cujo custo-benefício só chega para os grandes clubes, cujos cofres garantem o abastecimento. Mas, e os demais que querem seguir a mesma política, sem ter condições, tentando sempre imitar o inimitável.

Sumiram os garimpeiros de craques. Aqueles que morreram, nunca foram substituídos, e os que estão vivos foram recrutados por equipes que recebem meninos por meio de DVDs, FITAS, ou com QI (quem indica). Posso mencionar dois aqui, sem medo nenhum de cometer qualquer tipo de erro.

O primeiro, Caboquinho (in memoriam) de Juazeiro, que achou nas periferias e cidades vizinhas, muitos atletas que foram aproveitados, outro ainda vivo e com muito a oferecer, mas tolhido por esta evolução futebolística. Nilton Motta seria o segundo, um monstro na descoberta de talentos.

Pois bem, neste final de ano, com minhas andanças nas periferias de Juazeiro e Petrolina, pude observar muitas peladas e babas com garotos mostrando que sabem e entendem do riscado dentro das quatro linhas, mas apesar de viver no mundo da bola, cada qual, no seu cada qual, posso não ter visto os defeitos, e ou a qualidade maior do que notei. Mas o chamado olheiro, aquele que vive o dia a dia, de buscar estes futuros jogadores, não estavam por lá.

No interior da Bahia e Pernambuco, nas barrancas do Velho Chico, não é difícil encontrar gente boa de bola, e com idade de integrar as categorias de base, podendo serem aproveitados por muitos clubes, sem o gasto astronômico para se ter em seus elencos bons jogadores, e que serão chamados de pratas da casa.

Mas, infelizmente, a atual política de contratações esbarra nos empresários, que fazem de tudo para empurrarem seus trambolhos, e com eles arrumar o trocado mensal, sem apresentar custo-benefício nenhum ao clube contratante. Comecem a observação pelo interior do estado da Bahia, porque temos que falar do nosso quintal, o vizinho que cuide do dele, e concluam a mesma com Bahia e Vitoria.

Ganharam o que mesmo? Tiraram que proveito dos elencos formados? Todos, sem exceção, terminaram o ano de 2020 com péssimas apresentações e apenas como coadjuvantes dos torneios em que participaram, e que já foram eliminados, restando apenas Bahia, e Vitoria, nas séries A e B para concluírem a temporada 20/21, ambos com seríssimos problemas na tábua de classificação, precisando estarem de olho na zona de rebaixamento.

O torcedor baiano, de Norte a Sul e de Leste a Oeste, nada teve para comemorar. Aliás, farei aqui uma honrosa exceção ao mérito para o UNIRB, campeão da série B, com acesso para a Série A do Baiano de 2021, mas dizendo, não se deitem em louros, continuem progredindo, e a torcida é pequenina. Já os demais, ficaram sem presentes no Natal, e sem champagne na virada do ano.

Se conselho fosse bom, ninguém no Brasil daria, todos estariam com os ambulantes nas esquinas, os vendendo. Mas como sou cabeça dura, vou dizer aqui…

REESTRUTUREM o departamento de OBSERVAÇÃO, aquele do CAÇA TALENTOS, cujo artista principal é o OLHEIRO. E voltem a ser felizes.

#PRONTOFALEI.

(O texto é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Agência CH)