Texto: Elas e Os Esportes - Foto de capa: Carlos Humberto/Agência CH

O ano de 2020 não foi bom ao Petrolina. A expectativa em 2019 era a mais positiva possível, mas o desempenho dentro de campo não correspondeu ao planejamento. Posteriormente veio a pandemia e prejudicou o trabalho.

Agora resta mirar o futuro. Justamente por isso conversamos com o presidente da Fera Sertaneja, Jeferson Oliveira, que falou sobre o ano e a expectativa para 2021. Confira a seguir:

Elas e os Esportes: Passado o campeonato, no contexto geral desde o início do ano até hoje como você avalia o trabalho?

Jefferson Oliveira: A gente fez um trabalho no pensamento de alcançar uma Série D do Campeonato Brasileiro. Montamos um time forte, infelizmente o futebol tem dessas coisas. Se não tivesse acontecido essa pandemia a gente não estaria rebaixado e estaria numa colocação melhor porque o time da gente era bom.

Com a pandemia teve que desfazer o elenco. Na volta do campeonato a gente não tinha condições financeiras. A gente achou melhor optar em fazer um time pra não ter despesas depois, pra não ter os atletas fazendo cobrança em rádio e TV. Estamos na luta de sanar o restante de folha salarial. Coisa que estamos batalhando para conseguir logo.

Queda veio após goleada no último jogo

Elas: Trouxeram o Higor e o time poderia chegar lá. Dentro de campo aconteceu alguma coisa errada?

JO: O time com professor Higor a gente começou com um mês de antecedência. Foi um time montado do jeito que o professor queria. Infelizmente o time só veio começar a dar liga já depois da quarta rodada e veio essa pandemia. O trabalho dele foi excelente, ele estava pronto para voltar ao clube. Só que a gente não tinha como bancar com as despesas dele.

Elas: Depois entre o William, como avalia a fase final? Dava para escapar?

JO: A gente sabia que a dificuldade era enorme. Tenho até que agradecer ao professor William pelo que ele fez ao clube. Mostrou que é um profissional qualificado porque mesmo sem a gente dar opções a ele, montou o time com a garotada da cidade. A gente ficou satisfeito com o trabalho dele. Levamos dois gols no final. A gente estaria classificado. Mas os próprios árbitros quando vêm de fora, puxam pros de fora. É a dificuldade do time pequeno.

Elas: William falou sobre o acordo para integrar o time principal e a falta de estrutura e estádio. Isso contribuiu?

JO: Tinha o decreto municipal que não autorizava treino na cidade. Sem condições financeiras a gente estava tendo que locar um ônibus para ir treinar em Juazeiro, num campo que não era tamanho oficial. Era complicado! O ônibus não entrava no CT do 1º de Maio. A gente tinha que andar quase 1 km carregando a bagagem. Foi tudo na dificuldade. A gente teve muita dificuldade com o professor William porque tudo que ele queria, a gente não podia dar nada por causa das condições do clube.

[No jogo do Retrô] a gente treinou um dia para jogar no domingo. Quando voltou do Recife, treinou três dias. Era pra treinar sete dias direto. As condições do município, não foi liberado para isso [o treino].

Elas: E sobre William assumir a Fera?

Sim. O projeto quando a gente assumiu o clube, William sempre esteve à frente do projeto. De a gente formar a base e ele trabalhando. O interessante era que a gente tivesse o treinador da nossa cidad. William era o nome ideal para gente. É um homem de caráter, que ama o futebol e ama o Petrolina. É um trabalho que a gente vai seguir na frente. Vamos formar um time para subir à 1ª Divisão e voltar com William.

Equipe Sub-20 está nos planos

Elas: Como está a situação do Petrolina hoje?

JO: Temos pendências com os jogadores e a pendência do empréstimo que a gente pegou para sanar durante a pandemia. A gente espera não voltar como nas gestões anteriores, a gente quer honrar nossos compromissos.

Elas: O que podemos esperar para o próximo ano?

JO: Vai haver a Série A2, vamos ver o que consegue fazer. Vamos ver o que a gente consegue fazer para não ser rebaixado. A gente teve condições totalmente adversas aos adversários. Se ano que vem poderia ser 12 times na Série A. Se não conseguir, vamos fazer o time da Segunda Divisão e um planejamento mais enxuto para o ano de 2022 estár na Série A de novo. A gente quer sanar as dívidas primeiro.

Elas: E o time sub-20, podemos aguardar o retorno?

É só liberar e vai começar o treinamento sub-20. Se não houver o sub-20 a vaga da Copa São Paulo será das mesmas equipes do ano passado. Quero solicitar aos empresários da cidade, que tentem abraçar a causa do esporte. O esporte é cultura e lazer. A gente tem muita meninada na cidade que está sem oportunidade. Vamos tentar fazer um time com 60% da cidade.