Por Carlos Humberto - Foto capa: Sarah Pflug

Apesar das pressões políticas e financeiras, ainda não há consenso para o retorno das competições de futebol no Brasil. A discussão, envolve fala do presidente da República, passa pelos clubes e chega à ponta mais vulnerável do processo que são os jogadores e profissionais do futebol.

Nesta segunda-feira (4), manifestações públicas de entidades e dirigentes repercutiram a babel que se tornou o cenário esportivo, totalmente impactado pela pandemia provocada pelo novo coronavírus.

Começando pela Federação Baiana de Futebol, que divulgou comunicado de suspensão das atividades por tempo indeterminado – leia o documento* no final da matéria –, a Federação Paulista também anunciou que, “após reunião com os clubes por videoconferência, decidiram conjuntamente não determinar uma data para o retorno aos treinos”.

A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ), divulgou no último domingo comunicado autorizando os clubes a retomarem os treinos em seus centros de treinamento, e, por isso, sofreu críticas da diretoria do Fluminense, que acha precipitada a decisão, baseada apenas no parecer do Ministério da Saúde.

Entre os cariocas, o Flamengo é o clube que trabalha com mais afinco para retornar às atividades o mais rápido possível. Para isso, providenciou testes para jogadores e membros da comissão técnica, mas sofreu um revés na sua pretensão após saber que os exames revelaram positivo para oito profissionais, além do falecimento do massagista Jorginho atingido pelo Covid 19.

Aos poucos, os exemplos vindo de federações da Europa e da América, e a realidade imposta pela crise sanitária, faz cair por terra entre os dirigentes nativos o sonho de ver a bola rolando nos próximos dias, e a projeção de estabelecer o dia 17 de maio como data limite começa a ser repensada. O portal Globo Esporte realizou pesquisa entre as 27 federações e 27 secretarias de saúde e, em comum, o resultado constatou que “nenhum estado é capaz de garantir a realização de um jogo, mesmo sem torcida, na data mencionada pela CBF durante reunião com federações e clubes na semana passada”.

O boletim divulgado nesta segunda-feira pelo Ministério da Saúde, apresenta os seguintes números: o Brasil chegou a 105.222 pessoas infectadas pelo novo coronavírus (Covid 19), e o total de mortos subiu para 7.288, um aumento de 4% em relação aos números de ontem. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), já somos o novo país em número de casos confirmados.

Segundo as autoridades sanitárias, o país está apenas no começo do pico da doença, que deve se estender até o início de junho. Fica a pergunta: como pensar em fazer futebol, se hospitais atingiram a capacidade máxima e cemitérios fazem filas para receber os mortos?

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*Sede da FBF permanece fechada por tempo indeterminado

Em virtude da pandemia do COVID-19 e tendo em vista o estado de calamidade pública reconhecido pelo DECRETO LEGISLATIVO nº 6/2020, a Federação Bahiana de Futebol comunica que as atividades na sede da entidade permanecerão suspensas por tempo indeterminado.

A diretoria seguirá à disposição dos filiados, por meio dos e-mails e telefones.

A FBF destaca, ainda, que as competições do futebol baiano também permanecem suspensas. A entidade informará, através do seu site oficial, sobre novas ações ou qualquer novidade com relação ao futebol no estado.