Por Tony Martins    

Hoje, em tempos de quarentena, a gente pensa mais e faz menos, pelo menos fisicamente, fiquei pensando um pouco na história da música popular brasileira e, motivado pela partida do sambista baiano Riachão, batizado Clementino Rodrigues, que faleceu em Salvador, aos 98 anos, fiz uma viagem no tempo, chegando a 1902. Esse ano é marcante, pois, foi gravada a primeira música no Brasil.

Lundu, que é o título da composição de Xisto Bahia e cantada por Baiano, sendo que a gravação foi feita na Casa Edson, uma loja do Rio de Janeiro que vendia instrumentos musicais e aparelhos  eletrônicos e, por tabela, fazia gravação, embora, de qualidade duvidosa. O interessante é que o compositor que também era ator, morreu em 1894 aos 53 anos, portanto, não desfrutou dos louros de sua obra. De lá para cá a nossa música passou por várias nuances, onde vários cantores e compositores brilharam.

A morte de Riachão nos remete a Ari Barroso que fez Aquarela do Brasil, aliás, foi ele quem primeiro narrou futebol no Brasil, num tempo em que nem cabine de rádio existia nos estádios. O que dizer de Lamartine Babo um dos grandes compositores de marchas carnavalescas e que teve a capacidade extrema de compor os hinos dos grandes clubes do futebol carioca.

Certamente o torcedor gremista canta o tradicional “Até a pé nós iremos para o que der e vier…”, mas, certamente, poucos sabem que a composição é de Lupicínio Rodrigues, que além de ser um dos mais renomados compositores brasileiros, teve a felicidade de fazer essa obra prima que é o hino do Grêmio. Aproveito para enfatizar que aqui na Bahia o futebol também serviu de inspiração para os nossos compositores, como é o caso de Gilberto Gil, que na letra da música tradição, de 1973, faz menção ao goleiro Lessa do Bahia” …era uma segurança era uma garantia..”.

Que as outras torcidas nos perdoem, mas, é impossível não lembrar da “elegância sutil de Bobô” na canção Reconvexo, composição de Caetano Veloso, de 1989, gravada por Maria Bethânia, numa alusão ao jogador e ao Bahia campeão brasileiro de 1988.

Faço toda essa contextualização em memória de Riachão que sempre vai balançar o corpo de quem samba, na sua eterna: ” Xô, Xuá, cada macaco no se galho…”.