Por Tony Martins

As autoridades japonesas e o Comitê Olímpico Internacional (COI), decidiram adiar os Jogos Olímpicos de Tóquio, marcado para julho deste ano. A decisão acontece pelo temor que dirigentes e atletas de todo mundo demonstraram, diante da situação do Coronavírus que impacta substancialmente a população a nível planetário. Desse modo, a maior competição esportiva do mundo acontecerá em 2021.

Para se ter uma ideia da força dos Jogos Olímpicos, basta comparar com a Copa do Mundo de futebol que ocorre a cada quatro anos, desde 1930, atualmente com 32 países reunidos em sua fase final, sem considerar as eliminatórias. Os Jogos Olímpicos são equivalentes a uma Copa do Mundo com várias modalidades desportivas e com maior abrangência, pois o número de países que integram o evento é infinitamente superior ao torneio de futebol promovido pela FIFA, consequentemente, com maiores investimentos.

Usando do bom senso, a FIFA deu sinais de que o futebol mundial precisa de uma reformulação. Certamente, os Jogos Olímpicos e o futebol em si, têm interesses distinguíveis, todavia, o Coronavírus consiste num problema comum aos dois, uma vez que as atividades esportivas promovidas por COI e FIFA foram interrompidas em razão do COVID-19.

Nesse sentido, tem-se a certeza de que o evento que seria realizado este ano no Japão foi adiado para  2021, contudo, ainda estão indefinidos os campeonatos de futebol pelo mundo afora, cujo desfecho não se sabe, existindo apenas um pronunciamento da FIFA, dando conta de que existem muitos jogos e que nos anos subsequentes precisam ser diminuídos, para o benefício do calendário futebolístico, no entanto, nenhuma decisão foi tomada sobre as competições que foram interrompidas esse ano, a exemplo da Champions  League e os Campeonatos Nacionais de países europeus.

Existe uma frase atribuída a Oto Lara Rezende (mas que sempre negou): “O mineiro só é solidário no câncer”, em referência à atividade de exploração de minério, onde a disputa é acirrada em busca do metal precioso, cada um pensando em si. Mas, quando um é contaminado e adquire uma enfermidade letal, todos se tornam solidários. A expressão por mim aludida não teria nenhuma relação com o futebol, se não fosse pelo momento em que vivemos, aliás, eu ouvir essa frase assistindo ao filme Bonitinha, mas ordinária, baseado na obra de Nelson Rodrigues. Desse modo, foi preciso a presença avassaladora de um vírus, para que providências fossem tomadas, para o bem da humanidade. Isso é uma nova versão do que ocorreu com a Copa do Mundo, que por conta da II Guerra Mundial, não realizou as edições de 1942 e 1946.

Esperamos com isso, ao voltar à normalidade, paz nos estádios, menos briga de torcidas organizadas, mais ideias positivas e que dirigentes, jogadores, profissionais envolvidos com o futebol e os torcedores estabeleçam relações mais fraternas, considerando o aspecto econômico e o papel social que o esporte desenvolve.