Eu senti a Fonte Nova tremer

Por Tony Martins - Foto: Divulgação

O dia 12 de fevereiro de 1989 foi marcante para o futebol da Bahia, estive presente no estádio da Fonte Nova para assistir Bahia e Fluminense do Rio de Janeiro, valendo uma vaga na final do Campeonato Brasileiro 1988. Assistir a partida numa parte do estádio localizada bem em cima do placar, ao lado que fica para o dique do Tororó. Naquele dia o público passou dos 110 mil pagantes, espremidos entre si, tamanho era o aperto nas arquibancadas da Fonte Nova.

Quando o Fluminense fez 1 a 0 com Washington, sequer, conseguir ver o  corpo do jogador por inteiro, pois, havia muita gente em minha frente, atrapalhando minha visão, vi apenas o chute do atacante da equipe carioca, inclusive, que saiu sem muita força, mas vazou a meta defendida por Ronaldo.

Foi exatamente após o gol de cabeça marcado por Bobô, do lado da meta que fica no sentido da Ladeira da Fonte. Aproveitei que a galera pulou para vibrar e, enfim, encontrei um espaço com visão ampla, onde pude ver o gol da virada com Gil Sergipano, até o apito final do árbitro paulista Dulcídio Wanderlei Boschila.

O Bahia não tinha um grande elenco, porém, o técnico Evaristo de Macedo transformou jogadores simples em importantes, a exemplo de Claudir, Paulo Rodrigues, Tarantine e Marquinhos, fez brilhar os jovens João Marcelo, Zé Carlos e Charles, além, é claro, do talentoso Bobô com sua elegância e sutileza. Todos esses jogadores vindos da base ou de equipes pequenas com pouca expressão no futebol nacional. Não consigo esquecer a formação do tricolor baiano naquela partida: Ronaldo Passos, Tarantine, Newmar, Claudir e Paulo Robson; Paulo Rodrigues, Gil Sergipano, Zé Carlos e Bobô; Charles e Marquinhos.

Certamente, parte significativa do torcedor que assistiu a reprise daquele jogo no último sábado, não era nascida, pois, já são passados 31 anos desde a conquista do bicampeonato brasileiro, mas, de qualquer forma, consegue ver a força do tricolor de aço em tempos passados, coisa que há muito tempo não é demonstrada. Exatamente, em nome dessa história, com a devida licença, quero fazer menção aos heróis da conquista da primeira Taça Brasil pelo glorioso Esporte Clube Bahia: Nadinho, Leone, Vicente Arenari, Henrique, Nezinho (um lateral paraibano que jogava com um canivete de dois tostões), Flávio (avô do jogador Gabriel que defendeu equipes como o próprio Bahia, Flamengo e Sport), Mário, Marito, Léo (artilheiro da equipe e da competição com 8 gols), Alencar ( que marcou o primeiro gol da competição contra o CSA) e Biriba.

Na primeira Taça Brasil, reconhecida como o primeiro Campeonato Brasileiro,  o Bahia jogou 14 vezes, ganhou 9 jogos, empatou 2 e perdeu 3, fazendo a final contra o Santos em três jogos, perdeu um e ganhou dois, para se ter uma ideia do poder tricolor, basta lembrar que no Santos jogavam Pelé e metade da seleção brasileira bicampeã mundial – 1958/1962. O treinador da equipe foi Efigênio Bahiense, porém, porém na final quem dirigiu o time foi o argentino Carlos volante.