Uma chance para os estaduais*

Por Tony Martins

Estamos nos aproximando de dois meses de inatividade no futebol brasileiro, nem treinamentos estão acontecendo, não só os estádios de futebol estão vazios, as salas, os sofás, além de mesas e cadeiras de bares e restaurantes também estão na mesma situação. Até as antigas decisões reprisadas pelas TVs foram recrutadas no sentido de preencher tal lacuna, sem, no entanto, conseguir o objetivo em termos de audiência e de arrecadação.

Tenho uma opinião, digamos, de cronista esportivo, de modo que sem o rigor que a situação exige. Contudo, posso deixar de reconhecer que é uma opinião já defendida por outras pessoas. A volta dos campeonatos estaduais, objeto da nossa discussão, parece ser mesmo uma solução razoável para o recomeço do futebol no Brasil, posso fazer essa defesa sob a ótica de vários aspectos, que constituem pontos de interrogação: quais critérios serão utilizados pelas federações para indicar seus representantes em competições nacionais em 2021? Como definir os campeões e os rebaixados deste ano, sem que os campeonatos tenham se encerrado? Como replanejar o Campeonato brasileiro deste ano, sem ter conhecimento da verdadeira situação do Coronavírus e suas consequências?

O estado de São Paulo, por exemplo, que tem cinco representantes no Campeonato Brasileiro da série A e outros tantos nas séries B, C e D, teria muita dificuldade de deslocamento de suas equipes  para disputas de partidas nos vários estados do país, pois, há uma previsão de que os aeroportos não voltarão a funcionar de forma regular  nesses próximos meses. No caso dos campeonatos estaduais, obrigatoriamente, não haveria necessidade do transporte aéreo.  No Brasil existem mais de 700 equipes profissionais de futebol, com mais de 22 mil atletas, caso os campeonatos pelos estados não aconteçam mais esse ano, grande parte desses clubes e milhares de atletas estariam sem atividade precocemente, uma vez que o Campeonato Brasileiro em suas quatro séries só contempla 124 clubes e cerca de 3500 atletas inscritos.

Dessa forma, entendo que os campeonatos estaduais merecem uma chance, como também serviriam como um espaço de transição, para que as equipes condicionassem seus elencos, visando o Campeonato Brasileiro, já que é, tecnicamente, temeroso iniciar uma competição a nível nacional, depois de uma interrupção de dois meses, o que interfere de modo direto na qualidade dos espetáculos.

A situação é ainda mais difícil em relação à Taça Libertadores da América e Copa sul-americana, já que são diferentes cenários e realidades diferentes, no que concerne a pandemia do Coronavirus, que afeta os países da América do Sul, cujas incidências e consequências se dão com maior ou menor  intensidade, de acordo com a realidade de cada país.

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