Por Tony Martins - Fotos: Carlos Humberto e SDJ
Waguinho em campo em amistoso contra o Crato no Adauto Moraes (Foto: Carlos Humberto)

A Agência CH conversou com Waguinho, que é a principal referência da Juazeirense do clube em 12 anos de atuação, sempre como titular e capitão da equipe.

Wagner Henrique dos Santos Silva nasceu na cidade de Nossa Senhora das Dores, no interior de Sergipe, em 23 de janeiro de 1984, próximo de completar 38 anos, porém com um bom preparo físico e jogando em alto nível, visto que, apresenta bom desempenho físico e técnico, quando enfrenta grandes equipes do futebol brasileiro.

Waguinho é um exemplo de atleta e de homem, exercendo boa influência no clube junto aos seus companheiros e junto à família, sendo casado com dona Liliane com quem está esperando seu primeiro filho, mas, a esposa tem uma filha que tem Waguinho como pai.

Waguinho (Foto: Carlos Humberto)

Esse sergipano aprendeu a ser homem ainda cedo, pois, com 10 anos ficou órfão de pai e teve que, praticamente, assumir a condição de chefe de família. Começou profissionalmente na própria cidade com baixo salário, mas sempre foi determinado em jogar futebol. Naquele período sua mãe passou por problemas cardíacos e Waguinho jogou apenas para obter como salário os remédios de sua genitora, inclusive, usou essa condição para ter força e coragem e seguir em frente, até que foi atuar no Atlético de Alagoinhas, melhorando um pouco sua vida. Chegou na Juazeirense em 2010 e já em 2011 conquistou o acesso e o título da segunda divisão do Campeonato Baiano.

Waguinho esteve sempre presente nas boas campanhas da Juazeirense no Campeonato estadual, no acesso da Série D para a C em 2017 e na excelente campanha do Cancão de Fogo na Copa do Brasil em 2021.

Waguinho concedeu entrevista à Agência CH, abordando fatos importantes de sua vida e de sua carreira de atleta. Confira a conversa completa:

Tony Martins (TM) – O que significa para um jogador, que atua em um clube por 12 anos, tornando-se uma referência?

Waguinho (W) – Significa muito, pois tenho muito carinho pela Juazeirense e não posso deixar de ter, passando 12 anos sendo seu capitão, dando o meu melhor em campo e fora do campo também. construir tudo no futebol aqui na Juazeirense, construir minha família, minha esposa é de Petrolina. Fico feliz em participar da história da Juazeirense praticamente desde o início até agora, sei que é difícil se manter numa equipe durante muito tempo, mas, deus está nos dando força.

“Fico feliz em participar da história da Juazeirense”

TM – Como você concilia as características de ser um guerreiro valente e ser uma pessoa educada com todos?

W – Fico feliz em ouvir isso, porque é bonita e muito forte. Guerreiro sempre fui e procuro ser educado sempre com as pessoas. Isso é desde jovem, minha mãe me ensinou. Perdi meu pai quando tinha 10 anos e minha mãe ensinou que a gente tinha que ter ambição e ser humilde, sem passar por cima de ninguém, vamos saber entrar e sair dos lugares, isso eu agradeço de mais a minha mãe e minha família. prá mim foi difícil, pois, depois que perdi meu pai tive que ser o homem da casa com apenas 10 anos de idade. Na minha vida sempre foi assim, muita determinação e muita humildade. É muito gratificante ouvir isso do senhor. Isso é fruto daquilo que Deus vem nos ensinando e prá mim é de suma importância.

“Perdi meu pai quando tinha 10 anos e minha mãe ensinou que a gente tinha que ter ambição e ser humilde, sem passar por cima de ninguém”

TM – Queria que você destacasse as conquistas do acesso á primeira divisão estadual, o acesso á série C em 2017 e a Campanha da Juazeirense na Copa do Brasil em 2021.

W – São três pontos muito importantes. primeiro o nosso acesso ao estadual, a gente tinha um time muito bom e fomos campeões. tinha que ganhar por dois a zero do Itabuna e assim a gente fez, conseguimos reverter o placar, Nino fez um a zero e Silvio fez o segundo. Ali foi quando começou tudo, pois, a Juazeirense passou a se destacar no cenário do futebol baiano. O outro foi o acesso á Série C, a gente estava focado e enfrentamos uma grande equipe que foi o América de Natal, controlamos o segundo jogo e empatamos na casa deles. A gente sabe que tudo é mais difícil para uma equipe pequena, mas, superamos.

TM – E com relação à Copa do Brasil no ano passado?

W – Pois é, a outra conquista foi o ano passado quando ganhamos de grandes equipes do futebol brasileiro e respeitadas no cenário nacional e até internacional. Ganhar do Cruzeiro, do Santos de Pelé e do Sport. Isso é fruto de muito trabalho, já tínhamos sido prejudicados numa partida contra o Vasco da Gama, perdendo a classificação por conta de um pênalti inventado contra a gente. Chegamos numa fase de oitavas de final da Copa do Brasil com as principais equipes do país, por isso subimos no ranking. Sou muito grato a Deus por fazer parte dessa história que é muito bonita. O acesso para a primeira divisão da Bahia, o acesso para a Série C e a Campanha da Copa do Brasil são pontos importantes que vou levar para o resto da vida. Só tenho que agradecer a Deus por tudo que ele tem me proporcionado.

Jean e Waguinho (Foto: Carlos Humberto)

TM – 2021 ficou para trás e deixou um gostinho de “quero mais”. Qual a receita, o que deve ser feito para realizar uma boa campanha na Copa do Brasil, conquistar o Baiano e subir para a Série C, o que a torcida deve esperar?

W – Quando eu entro em campo, posso até não estar bem, agora eu faço de tudo para ajudar meus companheiros, jamais vai faltar uma palavra de incentivo e uma orientação. Alguns companheiros dizem que quando eu não estou em campo a equipe é totalmente diferente, não sei se é pelo meu jeito de jogar ou pela amizade que tenho com todos os atletas, isso é um ponto muito importante. eu procuro ajudar a todo muito. tem o exemplo de 2019 quando fui emprestado para o Macaé do Rio de Janeiro e quando voltei o time estava para baixo. a equipe não estava bem (tinha sido goleada pelo Bahia). então, o time reagiu e empatamos com o Vasco na Copa do Brasil, quase que a gente passava de fase. Falo para os meus companheiros que para a gente conquistar o que buscamos, precisamos nos unir, formar uma família, para dar alegria à torcida e que a gente possa ir mais longe. 2021 foi um ano bom, mas, ficou um gostinho amargo porque a gente sabia que poderia ter chegado na final do Baiano e de buscar o acesso para a Série C.

TM – Fale sobre sua trajetória e do seu lado cristão, já que é um evangélico.

W – Eu comecei na base do time de minha cidade, Nossa Senhora das Dores, lá mesmo me profissionalizei, mas, jogava e trabalhava. Teve um momento que minha mãe adoeceu e ela estava desempregada, eu jogava no time só para receber os remédios dela, depois fui para o Atlético de Alagoinhas, aonde cheguei em 2007 e fiquei até 2011. Em 2010 fui emprestado à Juazeirense, retornei no mesmo ano para o Atlético. Em 2011 vim em definitivo para o Cancão.

“Teve um momento que minha mãe adoeceu e ela estava desempregada, eu jogava no time só para receber os remédios dela”

TM – E a religião?

W – Falando em religião, eu busco sempre Deus, não sou contra as religiões de ninguém, porque a religião em si não determina o que você é. O importante é proximidade com Deus, o seu coração, o que importa são as atitudes das pessoas. Eu procuro seguir à risca os ensinamentos de Deus, pois, é isso que me tornará uma pessoa melhor, para mim e para o meu próximo. A palavra no primeiro mandamento diz: “Amarás a teu Deus sobre todas as coisas”, no segundo “Amarás a teu próximo como a ti mesmo”. Então uma coisa que eu busco é amar o meu próximo. Tudo que eu conquistei tem uma explicação: Jesus.

O jogador Waguinho além de ter várias conquistas na Juazeirense, subiu com o Petrolina para a primeira divisão pernambucana em 2019.

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