Da Redação – por Carlos Humberto - Foto: Rafael Ribeiro/CBF
O que Vinicius Junior fez mais uma vez dentro de campo foi futebol em estado puro: talento, coragem, explosão, história sendo escrita com a bola nos pés. Um golaço no palco mais simbólico da Europa, na Liga dos Campeões, deveria ser apenas celebração. Deveria ser manchete pelo que representa esportivamente.
Mas, como tantas vezes acontece, o brilho de um jogador negro é tratado como ameaça por aqueles que ainda carregam o atraso moral do racismo.
É revoltante, mas não surpreendente, que em pleno século XXI, no centro do futebol mundial, um atleta seja chamado de “macaco” — um insulto brutal, criminoso, desumano — simplesmente por existir, por vencer, por ser protagonista. Racismo não é “provocação”, não é “excesso de rivalidade”, não é “calor do jogo”. Racismo é violência. Racismo é crime. Racismo é a tentativa covarde de reduzir um ser humano à cor da sua pele.
Os nefastos atores dessa prática — jogadores, torcedores, dirigentes omissos, instituições lentas e vozes que relativizam — precisam ser denunciados com todas as letras. Não há neutralidade possível. Quem se cala, consente. Quem minimiza, participa. Quem acusa a vítima de “provocar” está apenas tentando inverter a culpa para proteger o agressor.
Vinicius Junior se tornou, contra a própria vontade, um símbolo de resistência. E é injusto que um jogador precise carregar esse peso enquanto deveria apenas jogar futebol. Mas é impossível não reconhecer sua força. Ele não abaixa a cabeça. Ele se expõe. Ele enfrenta. Ele obriga o esporte a olhar para a própria vergonha.
O racismo no futebol é reflexo do racismo na sociedade. Ele não nasce na arquibancada — ele é alimentado por séculos de desigualdade, impunidade e desumanização. Por isso, combatê-lo exige mais do que protocolos: exige punição real, expulsão de criminosos dos estádios, suspensão de atletas racistas, responsabilização de clubes e, acima de tudo, uma mudança cultural que não pode mais esperar.
A cor da pele nunca foi, e nunca será, medida de valor. O futebol, que deveria ser linguagem universal, não pode continuar servindo de palco para a barbárie.
Que a luta de Vinicius e de tantos outros não seja em vão. Que a força daqueles que resistem seja maior do que o ódio dos que tentam diminuir. E que chegue o dia — urgente — em que nenhum atleta precise ser forte para sobreviver, apenas livre para brilhar.
Racismo não é parte do jogo. Racismo é crime. E deve ser banido do futebol e da sociedade.
Sobre a partida, válida pelos playoffs da Liga dos Campeões, o Real Madrid venceu o Benfica por 1 a 0, golaço de Vini Jr aos 5 minutos do 2 tempo. O algoz desta vez foi o jogador argentino Prestiani e o árbitro o francês François Letexier.