MORRE CELSO MARAVILHA, UMA PERDA IRREPARÁVEL PARA O FUTEBOL DE JUAZEIRO

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Da Redação – por Tony Martins – Fotos: Arquivos pessoal e de amigos

Morreu na madrugada de hoje (27/04/2024), no Hospital Regional de Juazeiro, Celso Luis Pereira Nunes, o Celso Maravilha, que completaria 69 anos em outubro próximo. A causa da morte não foi revelada.

Natural de Remanso, ele chegou em Juazeiro ainda menino e foi morar no bairro de Piranga. Seu primeiro time foi o Venezinha, dirigido por Raimundo Amarildo, que foi seu primeiro treinador. Ao falar de Celso Maravilha o antigo treinador se emociona: “Foi o maior jogador que eu treinei, eu o pegava de bicicleta, no bairro de Piranga e o levava para treinar no Venezinha, era como se fosse meu filho. Depois foi jogar no time principal do Veneza treinado por Geraldo Melo”, falou Raimundo Amarildo, que foi treinador de Celso Maravilha no Veneza, Olaria, Seleção de Jovens e seleção principal de Juazeiro, além da seleção de veteranos da cidade que enfrentou a seleção brasileira de master em 1992, no estádio Adauto Moraes.

Além dessas equipes Celso Maravilha atuou pelo Juazeiro, XV de Novembro, América de Sobradinho, Lider de Jacobina e Palmeiras de Petrolina, tendo conquistado vários títulos em sua carreira.

O velório será realizado na Sala 1 do SAF Juazeiro e o sepultamento às 17 hora no Cemitério Central.

UMA HISTÓRIA DE TALENTO E GLÓRIA

Em se tratando do futebol amador de Juazeiro organizado pela Liga Desportiva Juazeirense-LDJ, Celso iniciou no Segundo Quadro do Olaria, no final da década de 1960, mas, logo se transferiu para o time principal do Veneza do técnico Geraldo Melo, que viu em Celso um jogador de futuro, o que de fato aconteceu. Valdecir que jogou ao lado de Celso por muito tempo descreve as caracteristicas do colega: “Celso era dificil de ser marcado, pois, driblava rápido e com velocidade, tinha o passe preciso e fazia gols, sempre com muita habilidade”, falou.
Valdeci, ainda relata sobre sua relação com o amigo: ” Ele tinha muita consideração por mim, mas, ultimamente, se isolou, parecia depressivo”, concluiu.

O ex-jogador Sena que jogou e conquistou títulos ao lado de Celso no Olaria e no Veneza, lembra de um encontro dos dois quando ainda eram meninos em 1969, ele pelo Havai de Timbira e Celso pelo Venezinha: “Tinhamos de 14 para 15 anos, ninguém conseguia marcar Celso. O jogo terminou 3 x 3, eu fiz dois gols e Celso fez três, lembrou Sena.

Isso aconteceu no antigo Campo do XV na emblemática Rua de baixo. Outro fato a ser registrado, refere-se a um momento em que a construção da Barragem de Sobradinho estava numa grande efervescência, mais precisamente em 1975, naquela ocasião foi inaugurado o estádio Apolônio Sales, quando aquela localidade ainda pertencia ao município de Juazeiro. A partida que aconteceu em 1975 envolveu seleção de Sobradinho x Fluminense de Feira. O ex-jogador Silva que esteve na partida relatou: “Ganhamos de dois a zero e eu fiz os dois gols, mas, o craque do jogo foi Celso Maravilha. Teve um gol que ele driblou uns quatro adversários e tocou, sozinho só fiz empurrar a bola para o gol”, relembrou Silva.

O melhor período de Celso Maravilha foi entre 1972 e 1979 quando foi tetra campeão pelo Veneza que tinha uma base formada com Farinha, Bebeto, Avelar, Lércio e Valdeci; Benitez, Zé Odorico e Celso Maravilha; Feijão, Totonho e Chico, contando também com Dino, Jaime Pirrucha, Sena, J. Alves, Valter Sued, Petróleo, Itinho, Bosquinho, Leandro, Vavá, entre ta tos. Depois ganhou mais dois títulos pelo Olaria.

Quem também jogou com Celso Maravilha foi Gilmar Ranzinha que foi um atacante goleador. Ele jogou com Celso no Jacobina e no Juazeiro e fala da importância desse jogador em sua carreira: “Aprendi muito com Celso, ele foi um mito no futebol. Quando eu estava começando, aprendi muito vendo Celso Maravilha jogar, seus dribles, sua habilidade era incomparável”, concluiu emocionado.

Aécio que foi um ponta esquerda de muita habilidade do futebol juazeirense simplificou para definir Celso como jogador: “O nome dele diz tudo sobre ele. Celso Maravilha, ele era isso”, sintetizou.

Celso Maravilha fez de seu jogo uma arte e de seu futebol uma alegria para viver. Que ele possa brilhar em outra dimensão igual o fez aqui, com sua genialidade, quando esteve entre nós.