*Carlos Laerte

No primeiro domingo dos Pais sem a presença física de Lara e Pedro, sinto algo assim parecido como um ninho vazio, arrodeado de folhas que caem no outono. Uma solidão triste de saudade que vem e volta sempre que um filho parte em busca de novos horizontes, deixando a casa sozinha e a gente sem assunto. O ninho vazio, deixado quando os filhos crescem e ganham independência, impõe uma nova reestruturação das referências emocionais e do cuidado diário para com nossos meninos e meninas e para com a gente mesmo. É um aprendizado assertivo sobre o que é reconstruir o próprio sentido da vida, retomando antigos gostos e alimentando novas formas de convivência com os filhos.

A partida de Pedro para São Paulo e a volta de Lara, depois de 14 anos estudando fora, e agora se preparando para o casamento, fazem parte da nossa identidade parental e por que não dizer, o nosso todo-tudo. Entre partidas e chegadas, fica sempre um sentimento Odisseu de buscar entender claramente o que vem a ser a volta, o retorno desejado quando somos filhos ou pais, oh mãe protetora divina.

Quando filhos, somos deuses querendo voar para além das asas, e quando pais, estamos presentes em todo sobrevoo, acreditando na perpetuação dos sonhos sonhados em comunhão. Dos desejos que virão na forma de netos, gotas d’água, grãos de areia, flores surpresas que inevitavelmente brotam em primavera nordestina.

*Carlos Laerte é poeta, jornalista e diretor da Clas Comunicação e Marketing.

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