Forró raiz, tradição e emoção marcam encerramento do Juazeiro, Aqui Tem Forró na Avenida Flaviano Guimarães valorizando o legado do autêntico forró: ‘Paixão que vem de gerações’
Última noite da programação reuniu diferentes gerações em uma celebração da cultura nordestina, fortalecendo tradições e movimentando a economia local.
Texto: Diana Silva/Ascom PMJ – Fotos: Gilson Pereira
Quando a sanfona puxou os primeiros acordes e o som do triângulo encontrou o compasso da zabumba, a Avenida Flaviano Guimarães voltou a se transformar em um grande terreiro de memórias, encontros e celebração. Na última noite do “Juazeiro, Aqui Tem Forró”, o público se reuniu para viver mais uma página da tradição junina nordestina, em uma festa marcada pelo forró pé de serra, pela valorização das raízes culturais e pelo sentimento de pertencimento que faz do São João uma das manifestações mais bonitas do povo sertanejo.
Promovido pela Prefeitura de Juazeiro, por meio da Secretaria de Cultura, Turismo e Esporte (Seculte), o evento encerrou sua passagem pela Avenida Flaviano Guimarães reafirmando o compromisso com a preservação da cultura popular e com o fortalecimento das tradições que atravessam gerações. A programação deste domingo (14) contou com apresentações de Sérgio do Forró, Raimundinho do Acordeon, Assisão, Lucy Alves e Matheus Torres, artistas que conduziram o público por uma viagem sonora entre clássicos juninos, canções de amor, histórias do sertão e a essência do autêntico forró nordestino.
Uma das atrações mais aguardadas da noite, a cantora Lucy Alves destacou a importância de manter vivas as raízes da música nordestina sem deixar de dialogar com as transformações do presente. “A gente está homenageando e fazendo uma grande menção à nossa cultura e à nossa tradição, sem deixar de olhar para as novidades que estão acontecendo, mas resgatando essa paixão pela história do forró. Eu estou feliz de ser uma das representantes dessa cultura e de levar comigo o legado desses mestres que abriram caminhos para todos nós”, afirmou.
A artista também ressaltou a emoção de dividir a programação com nomes consagrados do gênero. “A gente já se emocionou com Assisão, que é um ícone e tem uma voz que há anos leva a festa de São João adiante. Eu sou uma pupila desses mestres e faço sempre questão de trazê-los comigo no meu repertório e no meu amor pela nossa cultura e pela nossa música”, completou.
Mais do que uma festa, a noite foi marcada por histórias que revelam como o forró atravessa o tempo e encontra abrigo dentro das famílias. Entre os momentos mais emocionantes esteve a participação do pequeno José Aires, de apenas três anos, fã declarado de Sérgio do Forró, que teve a oportunidade de subir ao palco ao lado do artista. O pai do menino, Bruno Emanuel, contou que esse amor pela música nordestina é um legado passado de geração em geração. “Essa paixão vem do meu avô, do meu pai, de mim e agora dele. É uma tradição de família. O forró é um legado muito bonito. Ver meu filho crescendo com esse amor pela sanfona e pelos artistas da nossa cultura é muito gratificante”, disse.
O público também fez questão de homenagear aqueles que dedicam a vida à preservação da cultura popular. Para Heloísa Gomes, que acompanhou a apresentação de Sérgio do Forró, o artista representa um verdadeiro patrimônio vivo da cultura nordestina. Segundo ela, sua trajetória, sua autenticidade e sua dedicação ao forró fazem dele uma referência para diferentes gerações e uma das figuras mais importantes para a manutenção das tradições juninas.
O carinho é retribuído pelo artista, que mantém uma relação construída ao longo de décadas com o público juazeirense. “Essa consideração, esse amor que eles têm por mim e eu tenho por eles é coisa antiga. Os mais velhos vão saindo, os mais novos vão chegando, e a gente continua vendo esse carinho. Eu agradeço a Deus e agradeço à Prefeitura Municipal de Juazeiro por essa oportunidade da gente resgatar o São João de Juazeiro”, afirmou Sérgio do Forró.
Além de promover cultura e entretenimento, o evento também gerou oportunidades para trabalhadores informais. O ambulante Anderson Alcântara comemorou o movimento registrado durante a última noite da programação. “Hoje está sendo maravilhoso. A festa está só começando e eu espero vender bastante até o final. Já é o segundo ano que trabalho aqui na Flaviano Guimarães e essas festas são importantes porque ajudam a garantir uma renda extra para muita gente”, destacou.
Ao longo dos três dias de programação, a Avenida Flaviano Guimarães foi tomada por sanfonas, bandeirolas, danças, reencontros e histórias compartilhadas. Histórias de famílias que fizeram do forró um legado, de trabalhadores que encontraram uma oportunidade de renda, de artistas que dedicam suas vidas à cultura popular e de um povo que reconhece no São João parte da sua própria identidade.
Mais do que uma programação musical, a última noite do “Juazeiro, Aqui Tem Forró” é um encontro entre passado, presente e futuro. Enquanto mestres como Assisão e Sérgio do Forró mantinham viva a chama das tradições, artistas como Lucy Alves mostravam a força de uma cultura que se reinventa sem perder suas raízes. E, em meio ao público, crianças como José Aires provavam que o amor pelo forró continua encontrando novos caminhos para florescer.
