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SENAI Pernambuco inicia projeto para desenvolver sensor nacional para sistema de assistência ao motorista

by Redação

SENAI Pernambuco inicia projeto para desenvolver sensor nacional para sistema de assistência ao motorista

Por Carlos Laerte 

Em parceria com universidades, institutos de pesquisa e grandes empresas do setor automotivo, o SENAI Pernambuco lidera um projeto estratégico para a mobilidade no Brasil: o desenvolvimento de um sensor radar para sistemas ADAS (Advanced Driver Assistance Systems, ou Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista). A tecnologia vai reforçar a segurança dos veículos ao viabilizar recursos como frenagem automática e assistência de permanência em faixa em veículos produzidos no país. O lançamento aconteceu nesta quarta-feira (10), no SENAI Santo Amaro, com apresentação para representantes de empresas e instituições parceiras. 

Com investimento de R$ 44 milhões, a iniciativa será conduzida no SENAI Park, em Suape, e tem como objetivo reduzir a dependência externa de tecnologias críticas, preparando o país para a obrigatoriedade dos sistemas ADAS em todos os veículos fabricados a partir de 1º de janeiro de 2029. 

“Estou muito feliz com esse projeto porque é uma soma de esforços da indústria automobilística, que é fundamental para o nosso País. Temos empresas e instituições de pesquisa e desenvolvimento juntas aqui. É só com essa soma de conhecimentos que estaremos prontos para enfrentar os nossos desafios”, ressaltou o presidente do Sistema FIEPE e do Conselho Regional do SENAI-PE, Bruno Veloso. 

A diretora regional do SENAI-PE, Camila Barreto, ressaltou a importância de tropicalizar tecnologias e o posicionamento da instituição em liderar o projeto, construindo parcerias. “O SENAI vem fazendo esse papel de construir parcerias e buscar esse posicionamento junto ao setor automotivo, pois sabemos da importância dele para o Brasil. Agora temos um parque tecnológico, o SENAI Park, para implantar todos esses projetos. É lá que a bateria de lítio vai ser desenvolvida e é lá que também vamos colocar o Projeto ADAS, que tenho certeza, vai ser um sucesso”, pontuou. 

Os sensores em desenvolvimento serão capazes de detectar obstáculos e veículos em diferentes distâncias, funcionando em conjunto com câmeras em aplicações como frenagem automática, controle de faixa e ampliação da segurança veicular. Para desenvolvimento do projeto serão utilizadas tecnologias como inteligência artificial e gêmeos digitais (digital twins), permitindo acelerar testes e validações sem depender exclusivamente de protótipos físicos. 

“Na prática, os sistemas de frenagem automática combinam radar e câmera para tomar decisões mais seguras. O radar é responsável por detectar objetos à frente e medir, com precisão, a distância e a velocidade, enquanto a câmera complementa essas informações ao identificar o tipo de objeto, como um carro ou pedestre. Com essas duas informações integradas, o sistema consegue avaliar o risco de colisão de forma mais completa e tomar, de maneira autônoma, a decisão de acionar a frenagem automaticamente. Esse processo, conhecido como percepção e fusão sensorial, que aumenta a confiabilidade do sistema, pois combina diferentes perspectivas para melhorar a percepção do ambiente e reduzir erros”, explica o diretor de Inovação e Tecnologia do SENAI-PE, Oziel Alves. 

Os desafios para o desenvolvimento do produto estão relacionados à precisão da detecção em diferentes cenários, garantindo que os sensores identifiquem corretamente objetos, distância, velocidade e direção. 

“Outro ponto importante está relacionado ao desenvolvimento do próprio hardware, incluindo sensores periféricos, estrutura, circuito eletrônico e até a integração física do radar ao veículo. Esses fatores têm impacto direto no alcance, na resolução e no desempenho do sensor em campo. Ao desenvolver localmente soluções como o radar proposto neste projeto, o Brasil amplia seu know-how em tecnologias críticas, forma profissionais especializados e cria uma base de engenharia mais madura. Isso gera reflexos diretos na indústria, como maior autonomia para desenvolvimento, redução gradual dos custos associados à importação e aumento da competitividade das montadoras e fornecedores locais”, pontua Oziel. 

O especialista em desenvolvimento industrial do Departamento Nacional do SENAI, Francisco Magalhães lembrou que a fabricação do sensor integra o Programa MOVER (Mobilidade Verde), do Governo Federal, atendendo um de seus pilares. “Um dos pilares do MOVER é a soberania da indústria brasileira e o Projeto ADAS é primordial no sentido de nacionalizar a tecnologia para fabricar o sensor”, afirmou. 

O projeto está sendo coordenado pelo SENAI-PE/ ISI TICs, e conta com a participação de instituições como o Instituto Eldorado (SP), o ISI em Sistemas Embarcados (SC), a fmb, a ONMotus, a UFPE e a UnB, além de empresas líderes como Stellantis, Volkswagen, Alpha Plast, Tron, KRAH Group, Valeo e TE Connectivity. 

Sistema FIEPE – Mantido pelo setor industrial, atua no desenvolvimento de soluções para trazer ainda mais competitividade ao segmento. Além do SENAI – que atua na formação profissional e oferece serviços de metrologia e ensaios, consultorias e inovação – conta ainda com a FIEPE, o SESI e o IEL. A Federação realiza a defesa de interesse do setor produtivo e contribui com o processo de internacionalização das indústrias. Pelo SESI-PE, são oferecidos serviços de saúde e educação básica para os industriários, familiares e comunidade geral. Já o IEL-PE foca na carreira profissional dos trabalhadores, desde a seleção de estagiários e profissionais, até a capacitação deles realizada pela sua Escola de Negócios.

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